
Você acorda, pega o celular, utiliza um utensílio doméstico, sai para o trabalho, seja dirigindo o seu veículo ou pedindo um transporte de aplicativo. No caminho, compra um café, abastece o carro, paga uma parcela do cartão ou pesquisa o preço de uma viagem. Parece uma rotina comum. Mas existe uma força invisível influenciando cada uma dessas decisões, e pasmem, é o mercado financeiro.
Muita gente imagina que economia é um assunto distante, restrito a bancos, corretoras e investidores. Na prática, ela está presente em quase tudo o que consumimos. E dois indicadores ajudam a explicar boa parte desse impacto silencioso no bolso dos brasileiros: a taxa Selic e o dólar.
Atualmente, a taxa Selic está em 14,5% ao ano, após decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central. Mas o que isso significa na prática?
A Selic é considerada a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela funciona como uma espécie de termômetro que influencia praticamente todas as outras taxas cobradas no país, desde empréstimos e financiamentos até investimentos e aplicações financeiras.
O gestor de investimentos da VF MONEY, Pedro Morel, explica que entender o mercado financeiro vai muito além de ser um expert em investimentos ou saber de cor qual a taxa de juros que você paga naquele boleto interminável, entender mercado financeiro é conhecer o quanto ele impacta em cada rotina para que você entenda qual o melhor caminho para fazer o dinheiro trabalhar por você.
Por exemplo, quando a inflação ameaça subir demais, o Banco Central costuma elevar a Selic. O objetivo é tornar o crédito mais caro, reduzir o consumo e, consequentemente, desacelerar a alta dos preços. Quando a economia precisa de estímulo, o movimento costuma ser o contrário, juros menores para incentivar consumo, investimentos e geração de empregos.
“Parece algo técnico, mas o reflexo é imediato, quando a Selic sobe, o dinheiro fica mais caro para quem precisa tomar crédito e mais atrativo para quem consegue investir, meus clientes sempre são orientados, caso a caso sobre o preço do dinheiro e como ele trabalha, contra ou a nosso favor”, explica.
Uma Selic elevada pode encarecer financiamentos imobiliários, empréstimos pessoais, crédito para empresas e até as parcelas daquele carro que você pretende comprar. Ao mesmo tempo, tende a aumentar a rentabilidade de aplicações de renda fixa, como Tesouro Selic, CDBs e outros investimentos conservadores.
Em outras palavras, quando uma empresa paga juros maiores para financiar sua produção, expandir operações ou comprar matéria-prima, parte desse custo acaba sendo repassada aos consumidores. É um efeito em cadeia que atravessa toda a economia.
Outro protagonista silencioso é o dólar, nos últimos dias, a moeda americana tem oscilado próxima da faixa de R$ 5,00. A média recente ficou em torno de R$ 5,03 por dólar, segundo dados de mercado e séries oficiais de câmbio.
O gestor de investimentos explica que neste ponto existe uma curiosidade importante, mesmo quem nunca comprou um dólar sofre seus efeitos.
“O motivo é simples. O Brasil importa produtos, peças, combustíveis, fertilizantes, medicamentos, equipamentos tecnológicos e diversos insumos que são negociados na moeda americana. Quando o dólar sobe, o custo dessas importações aumenta. E esse aumento frequentemente chega ao consumidor final. Por isso, uma alta do dólar pode influenciar nos combustíveis, alimentos, eletrônicos, medicamentos, passagens aéreas, produtos vendidos pela internet, custos de produção da indústria e muito mais. O resultado aparece nas etiquetas de preço.
Por que o dólar sobe ou cai?
Diferentemente do que muitos imaginam, o valor do dólar não depende apenas da economia brasileira.
A cotação é resultado de uma combinação complexa de fatores políticos, econômicos e internacionais.
Decisões do Federal Reserve (o Banco Central americano), guerras, crises geopolíticas, eleições, inflação global, crescimento econômico e até declarações de líderes mundiais podem gerar movimentos imediatos no câmbio.
No cenário interno, fatores como responsabilidade fiscal, confiança dos investidores, crescimento econômico e expectativas sobre inflação também entram na conta.
É por isso que uma notícia publicada do outro lado do mundo pode impactar o preço de produtos consumidos diariamente por famílias brasileiras.
O mercado financeiro não está longe de nós e de nossa rotina, talvez a maior lição seja justamente essa. Muitas pessoas acreditam que mercado financeiro é um assunto distante da realidade. Mas a verdade é que ele influencia desde o preço do pãozinho até a taxa do financiamento imobiliário.
A Selic interfere no custo do dinheiro. O dólar interfere no custo dos produtos. A inflação interfere no poder de compra e tudo isso se conecta diariamente à vida de quem trabalha, consome, investe e planeja o futuro.
No fim das contas, entender esses indicadores não é apenas acompanhar números na televisão. É compreender por que o dinheiro rende mais ou menos, por que as parcelas aumentam, por que alguns produtos ficam mais caros e, principalmente, como tomar decisões financeiras mais conscientes em um cenário que muda o tempo todo.
E você ainda acha que o mercado financeiro não impacta na rua rotina ou que economia é um assunto complexo demais?
A economia decide sua vida antes mesmo do café da manhã e você nem se dá conta.