
A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, entrou com ação judicial contra a deputada federal Erika Hilton após uma publicação nas redes sociais em que a parlamentar classificou a administração da Capital como “a pior prefeitura do país”.
O episódio amplia a repercussão nacional em torno da gestão municipal e ocorre em meio a uma sequência de embates políticos envolvendo a prefeita e críticas relacionadas à condução da administração pública em Campo Grande.
A manifestação de Erika Hilton ocorreu no contexto das discussões sobre a Lei Municipal nº 7.615/2026, sancionada por Adriane Lopes, que restringe o uso de banheiros femininos por mulheres trans em espaços públicos da Capital. A deputada federal, que é uma das principais vozes do Congresso Nacional na defesa dos direitos da população LGBTQIA+, levou a legislação para análise da Procuradoria-Geral da República, alegando possível inconstitucionalidade da norma.
Na publicação que motivou a ação, Hilton criticou a prefeita e associou a gestão municipal a problemas enfrentados pela população campo-grandense. A frase repercutiu nas redes sociais e passou a circular em meio a debates sobre infraestrutura urbana, saúde pública, transporte coletivo e serviços essenciais.
A ação movida por Adriane Lopes busca responsabilizar a parlamentar pelas declarações. Até o momento, não foram divulgados todos os detalhes do pedido apresentado à Justiça, como eventual solicitação de indenização, retirada de conteúdo ou direito de resposta.
O caso ganha ainda mais atenção porque a gestão de Adriane Lopes tem sido alvo de críticas de diferentes setores políticos e sociais. Pesquisa divulgada em março pelo Instituto Ranking Brasil Inteligência apontou que 90% dos entrevistados desaprovavam a administração municipal, enquanto 80% classificavam a gestão como ruim ou péssima. O levantamento ouviu mil eleitores em Campo Grande, incluindo regiões urbanas, distritos e zona rural.
Nos últimos meses, a prefeita também esteve no centro de outros episódios judiciais envolvendo críticas à sua administração. Em junho, Adriane Lopes conseguiu uma medida protetiva contra um pré-candidato que publicava conteúdos críticos à gestão e que, segundo denúncia apresentada pela prefeita, teria utilizado drones para sobrevoar sua residência.
Posteriormente, a 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul revogou a medida. Conforme a decisão, o caso apresentava natureza predominantemente política e não havia elementos suficientes para enquadramento nas hipóteses previstas pela Lei Maria da Penha.
A nova ação contra Erika Hilton deve reacender o debate sobre os limites entre crítica política, liberdade de expressão e responsabilização judicial de autoridades e parlamentares. De um lado, a prefeita sustenta que declarações públicas podem atingir sua honra e imagem. Do outro, a deputada atua em uma discussão nacional relacionada à legislação aprovada em Campo Grande e aos impactos dela sobre a população trans.
A reportagem buscou informações sobre o andamento do processo e aguarda eventual manifestação oficial das partes. O espaço permanece aberto para posicionamentos da Prefeitura de Campo Grande e da deputada federal Erika Hilton.
A prefeita Adriane Lopes assumiu o comando da Prefeitura de Campo Grande em abril de 2022 e foi reeleita para seguir à frente da administração da Capital.