Professora é agredida por aluno em escola municipal de Rio Verde e caso reacende debate sobre a segurança dos docentes em sala de aula

Uma agressão contra uma professora dentro de uma sala de aula da rede municipal de Rio Verde de Mato Grosso reacendeu um debate que há...

Ao cair, a professora sofreu uma fatura no ombro direito (Foto: Arquivo pessoal)

Uma agressão contra uma professora dentro de uma sala de aula da rede municipal de Rio Verde de Mato Grosso reacendeu um debate que há anos preocupa profissionais da educação, em que questionamos, até que ponto os professores estão seguros para exercer a profissão?

A reportagem teve acesso ao relato da docente, que terá sua identidade preservada e será identificada apenas pelas iniciais AVO, para evitar qualquer tipo de exposição ou represália, especialmente por se tratar de uma profissional contratada pelo município.

Segundo o relato, o episódio ocorreu no dia 10 de julho, em uma turma do 3º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Crescêncio de Abreu.

De acordo com as informações, ao retornar do recreio, a professora encontrou alguns alunos discutindo de forma agressiva dentro da sala. Ao pedir que todos voltassem aos seus lugares, um estudante que, segundo ela, já apresentava histórico de indisciplina e comportamento agressivo durante o ano letivo, recusou-se a obedecer e tentou avançar contra outros colegas.

A professora se posicionou à sua frente e pediu para que fosse para seu lugar. Ele se recusou e continuou tentando avançar nos colegas. A professora continuou na sua frente tentando impedir o avanço dele. Nesse momento ele a empurrou e ela caiu ao chão.

“As meninas da sala começaram a chorar e vieram me ajudar a levantar. Alguns meninos foram para cima do aluno e outros chamaram as inspetoras.”

Segundo o relato, mesmo com a intervenção das servidoras da escola, não foi possível conter o estudante, sendo necessária a presença do secretário da unidade escolar.

“Foi necessário chamar o secretário da escola, que era o único homem na escola, para contê-lo.”

Enquanto isso, AVO permaneceu sentada tentando acalmar os demais alunos, muitos deles abalados emocionalmente com o episódio.

Lesão no ombro foi confirmada

Após deixar a escola, a professora procurou atendimento médico devido às fortes dores no ombro e no pescoço. Inicialmente, recebeu medicação, mas como os sintomas persistiram, passou por novos exames.

O resultado apontou uma lesão no ombro por conta da queda. Segundo o laudo médico apresentado à reportagem, foi identificada uma descontinuidade parcial das fibras do tendão supraespinhal, quadro que agora exige avaliação com um médico ortopedista e tratamento especializado.

Além de atuar na rede municipal, AVO também trabalha como terapeuta infantil na APAE de Rio Verde de Mato Grosso. A lesão poderá comprometer temporariamente suas atividades profissionais.

Professora relata falta de suporte

Outro ponto que chama atenção no relato é a percepção de ausência de acolhimento institucional após a agressão.

Segundo a professora, no momento da ocorrência não havia diretora nem coordenadora na escola. Posteriormente, quando a coordenação chegou à unidade, a docente afirma que não recebeu questionamentos sobre seu estado de saúde.

Ela relata ainda que precisou procurar, por iniciativa própria, a Secretaria Municipal de Educação para comunicar oficialmente o ocorrido e buscar providências.

A professora disse ainda que procurou a delegacia de polícia do município para registrar um BO, mas por conta da idade do estudante não conseguiu e foi orientada a procurar o conselho tutelar.

Violência contra professores

O caso de Rio Verde de Mato Grosso acontece em um cenário nacional que preocupa pesquisadores da área da educação.

Estudos mostram que episódios de violência física, ameaças, intimidações e agressões verbais contra professores têm se tornado cada vez mais frequentes nas escolas brasileiras. Uma pesquisa publicada na Revista Economia Contemporânea, baseada em dados do SAEB, aponta que a violência contra docentes afeta diretamente o ambiente escolar e compromete inclusive o processo de ensino-aprendizagem.

Outro levantamento realizado com professores da rede pública identificou que 62,2% dos educadores relataram ter sofrido algum tipo de violência, sendo que, entre eles, 42,5% apontaram estudantes como autores das agressões, e 21,5% afirmaram já ter sido vítimas de violência física.

Pesquisadores também alertam que episódios de violência dentro das escolas aumentam o adoecimento dos profissionais, elevam o afastamento por questões de saúde e prejudicam o ambiente pedagógico.

Espaço aberto

A reportagem deixa aberto o espaço para manifestação da Prefeitura de Rio Verde de Mato Grosso, da Secretaria Municipal de Educação e da direção da Escola Municipal Crescêncio de Abreu.

Caso haja posicionamento oficial, esta matéria será atualizada.

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