
O pré-candidato à Presidência da República pelo Partido Missão, Renan Santos, afirmou nesta quinta-feira, durante agenda em Campo Grande, que o enfrentamento ao tráfico de drogas e ao crime organizado passa por uma estratégia nacional que tenha como foco não apenas as fronteiras, mas também as principais rotas de distribuição de entorpecentes no país. Para ele, Mato Grosso do Sul, por fazer divisa com o Paraguai, ocupa uma posição estratégica nessa política de segurança.
Durante coletiva de imprensa, Renan defendeu a atuação integrada das Forças Armadas, Polícia Federal e polícias estaduais para desarticular organizações criminosas desde a entrada da droga no Brasil até os grandes centros de distribuição.
Segundo o pré-candidato, uma das principais medidas seria ampliar a presença do Estado na fronteira e realizar uma intervenção federal no Porto de Santos, em São Paulo, considerado por ele um dos principais pontos de escoamento do tráfico.
“É preciso entender que é uma guerra. As Forças Armadas vão ter que atuar na fronteira, a Polícia Federal fará grandes operações e as polícias militares atuarão nos municípios, tanto em Mato Grosso do Sul quanto em São Paulo, para destruir essas operações”, afirmou.
Renan foi além ao defender uma atuação direta contra facções criminosas na Baixada Santista.
“Vamos precisar chamar parte das Forças Armadas para atuar junto com a Polícia de São Paulo para destruir o PCC na Baixada Santista e fazer uma intervenção federal no Porto de Santos. Toda essa linha, que vai da fronteira de Mato Grosso do Sul até o Porto de Santos, representa uma das frentes da guerra que o Estado brasileiro terá de enfrentar contra o crime organizado”, declarou.
O pré-candidato também afirmou que pretende propor mudanças na legislação para ampliar os instrumentos de atuação das forças de segurança. Entre as medidas defendidas estão o emprego da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e, em situações específicas, a decretação de Estado de Defesa em municípios ou bairros considerados críticos.
“Vamos criar os instrumentos jurídicos necessários para que a polícia possa agir de maneira muito enfática e, no primeiro ano de governo, possamos dizer que o modelo atual do crime organizado foi destruído”, disse.
Renan ainda afirmou que o crime organizado teria se infiltrado em setores públicos e privados, prometendo ampliar o combate à lavagem de dinheiro.
“Todo mundo fala da Faria Lima. Vamos pegar todo mundo do PCC que estiver fazendo lavagem de dinheiro. Vamos dar nome aos bois e responsabilizar quem estiver envolvido”, afirmou.
Durante a entrevista, o pré-candidato também fez críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL), um dos nomes colocados na disputa presidencial. Sem apresentar provas durante a coletiva, Renan afirmou que o parlamentar teria proximidade com um operador político ligado ao Comando Vermelho na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e disse que pretende ampliar as investigações sobre organizações criminosas em diferentes estados.
Agenda em Mato Grosso do Sul
Renan Santos iniciou nesta quinta-feira sua agenda em Mato Grosso do Sul, última etapa de um roteiro pelo Centro-Oeste. Além de Campo Grande, o pré-candidato deverá cumprir compromissos no interior do Estado.
Na coletiva, ele também abordou propostas nas áreas de saúde, educação e agronegócio e afirmou que está aberto ao diálogo com lideranças políticas sul-mato-grossenses para possíveis alianças, embora, segundo ele, ainda não tenha sido procurado.
“Nós vamos vencer as eleições presidenciais e estamos em uma posição de sermos ouvidos. Se as lideranças de Mato Grosso do Sul quiserem conversar sobre projetos para o Estado, estarei pronto para esse diálogo”, declarou.
Durante a convenção nacional, o Partido Missão confirmou que disputará as eleições sem coligações proporcionais. Em Mato Grosso do Sul, o diretório provisório aprovou uma chapa com seis candidatos a deputado federal que representarão a legenda no Estado.