A poucas horas da convenção, Nelsinho abandona reeleição e vira suplente de Azambuja

A eleição para o Senado em Mato Grosso do Sul mal entrou oficialmente na fase das convenções e já sofreu uma reviravolta capaz de redesenhar...

Decisão anunciada na noite anterior muda completamente o tabuleiro da disputa pelo Senado e expõe o peso da estratégia partidária sobre o projeto individual de candidatura

A eleição para o Senado em Mato Grosso do Sul mal entrou oficialmente na fase das convenções e já sofreu uma reviravolta capaz de redesenhar completamente a disputa. A poucas horas da convenção que acontece neste sábado (1º), o senador Nelsinho Trad (PSD) desistiu da candidatura à reeleição e anunciou que será suplente do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL).

A decisão foi comunicada por volta das 22h30, na véspera da convenção, pegando de surpresa o ambiente político que acompanhava a formação das chapas. Nelsinho vinha sendo tratado como um dos nomes competitivos na corrida pelas duas cadeiras que Mato Grosso do Sul terá no Senado a partir de 2027.

Nos levantamentos realizados ao longo dos últimos meses, o senador aparecia entre os nomes que disputavam diretamente as vagas. Pesquisa divulgada em julho, por exemplo, apontava Reinaldo Azambuja com 21,4%, Nelsinho Trad com 19,2% e Capitão Contar com 17,6%, enquanto Vander Loubet aparecia com 10,4% e Soraya Thronicke com 8,6%.

Ou seja: Nelsinho não deixa uma candidatura sem perspectiva eleitoral. Deixa uma disputa na qual ainda estava no jogo.

É justamente aí que a decisão ganha peso político.

Em nota, o senador afirmou que a mudança atende a uma “diretriz estratégica” e à convocação da Direção Nacional do PSD, sob a liderança de Gilberto Kassab. Segundo Nelsinho, a decisão foi tomada “por alinhamento partidário e em nome de uma grande aliança pelo desenvolvimento de Mato Grosso do Sul”.

O argumento é de unidade. O efeito político, porém, é de uma mudança brusca de rota.

Nelsinho também fez questão de afirmar que a decisão não foi simples e que coloca os interesses coletivos e as orientações do grupo político acima do próprio projeto de reeleição. A justificativa procura enquadrar a desistência como um gesto de liderança e desprendimento pessoal.

Mas a pergunta que inevitavelmente surge no meio político é outra: por que abrir mão de uma candidatura competitiva ao Senado justamente na véspera da convenção?

A resposta oficial está no projeto coletivo. A leitura política, entretanto, passa pela montagem da aliança em torno da candidatura de Eduardo Riedel ao Governo do Estado e pela tentativa de concentrar forças na chapa encabeçada por Azambuja.

Neste sábado, PL, PP, União Brasil, PSDB, MDB, Podemos e Republicanos se reúnem para oficializar a aliança e as candidaturas majoritárias. A composição prevê Riedel na disputa pelo Governo e Reinaldo Azambuja e Capitão Contar como candidatos ao Senado.

A entrada de Nelsinho como suplente acrescenta uma peça de peso à chapa de Azambuja e, ao mesmo tempo, retira da disputa um dos nomes que poderiam dividir votos dentro do mesmo campo político.

É uma operação política que beneficia diretamente a estratégia da aliança.

Azambuja, que já vinha liderando os levantamentos, passa agora a contar também com a estrutura política e eleitoral de um senador que, até poucas horas atrás, era seu concorrente direto.

A questão é que, ao contrário de uma composição eleitoral anunciada com antecedência, a mudança acontece praticamente na porta da convenção.

Até então, Nelsinho era candidato à reeleição. Agora, passa a trabalhar pela eleição de Azambuja a partir da condição de suplente.

Politicamente, é uma demonstração clara de que a construção da aliança passou a falar mais alto do que a disputa individual.

E talvez seja esse o aspecto mais simbólico da decisão de Nelsinho Trad. Em uma eleição marcada por duas vagas e por uma disputa pulverizada, o senador opta por sair do jogo direto para ocupar uma posição secundária em uma chapa que, pelas pesquisas, parte com vantagem.

A justificativa oficial fala em espírito coletivo. A matemática eleitoral mostra que a mudança também reorganiza forças e reduz a fragmentação dentro do grupo político.

Quem permanece na disputa

Com a saída de Nelsinho Trad, a corrida pelas duas vagas ao Senado ganha um novo desenho. Permanecem na disputa Reinaldo Azambuja (PL), Capitão Contar (PL), Soraya Thronicke (PSB), Vander Loubet (PT), Beto do Movimento (PSOL), Daniel Júnior (Agir) e Fernando Moraes (DC).

Entre eles, Azambuja aparece como o nome mais bem posicionado nas pesquisas recentes, enquanto Capitão Contar também se mantém competitivo. Vander Loubet e Soraya Thronicke aparecem na segunda faixa de intenção de votos, e os demais candidatos completam uma disputa que ainda pode sofrer novas mudanças até outubro.

Para os adversários, a desistência de Nelsinho produz um efeito imediato: um dos nomes mais conhecidos e competitivos da disputa deixa de disputar uma das duas cadeiras e passa a integrar justamente a chapa de um dos favoritos.

A partir deste sábado, portanto, a eleição muda de desenho.

Nelsinho Trad deixa de ser candidato para tentar voltar ao Senado pela condição de suplente.

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