
Aos pés da Cordilheira dos Andes, no Vale do Maipo, uma das regiões mais tradicionais da produção de vinhos do Chile, a Alyan Family Wines transformou a degustação em uma experiência que mistura vinho, família, paisagem, gastronomia e memória.
Localizada em Pirque, na Região Metropolitana de Santiago, a vinícola boutique recebe visitantes para um passeio que vai muito além de conhecer uma adega. A proposta é caminhar, observar, provar, ouvir histórias e, principalmente, desacelerar.
E talvez seja justamente aí que esteja o segredo da Alyan: antes de ser uma vinícola, ela é uma história familiar.
Fomos recebidos com uma harmonização deliciosa de vinho e pães. Depois uma caminhada até um deck para apreciar o Pôr do Sol, com beleza digna do lugar. Nesse ponto, os convidados tem a chance de conhecer um pouco da história da vinícola pelo discurso do próprio dono, Andrés Perez, que faz questão de receber diariamente seus convidados.
Andrés trouxe uma reflexão sobre o compartilhar, sobre a conversa olho no olho acompanhada de uma boa taça de vinho, momentos raros atualmente com o uso das tecnologias. “O celular tem substituído conversas, tem atrapalhado os relacionamentos, o vinho sempre foi um elo maravilhoso das boas conversas e aqui, fazemos questão de lembrar o quanto as relações humanas são importantes”, enfatizou.
Um nome que nasceu de dois nomes
A história começa em 2001, quando Alicia Balmaceda e Andrés Pérez decidiram criar a própria vinícola. O nome escolhido carrega, literalmente, os dois.
“Alyan” é a combinação das primeiras letras dos nomes dos fundadores: “Al”, de Alicia, e “An”, de Andrés.
Mais do que uma escolha criativa, o nome representa a união de um casal que já carregava uma longa relação com o universo do vinho. A família de Andrés tem raízes na viticultura do Vale do Maule. Ele é neto de Francisco Pérez, importante viticultor da região.
Do lado de Alicia, a herança também é expressiva. Ela é neta de Pedro Undurraga, ligado à tradicional Viña Undurraga, uma das antigas e importantes casas vitivinícolas do Chile.
Ou seja, antes mesmo de existir a Alyan, o vinho já fazia parte da história das duas famílias.

Andrés e Alicia começaram a construir juntos essa trajetória ainda nos primeiros anos do casamento.
Segundo a própria vinícola, eles participaram da propriedade da Viña Santa Carolina durante seu período de crescimento e, posteriormente, fundaram a Viña Santa Alicia, projeto que levou o nome de Alicia e permaneceu ativo por 17 anos antes de ser incorporado ao Bethia Wine Group.
Foi depois dessa trajetória que o casal decidiu partir para o projeto que considerava sua aventura mais importante: criar a própria casa de vinhos.
Nascia, em 2001, a Alyan Family Wines.
Não é apenas uma degustação
Quem chega à Alyan encontra uma proposta diferente do tradicional tour de vinícola.
A experiência é construída em etapas. O visitante percorre diferentes espaços da propriedade, passando pelo jardim de variedades, pelos vinhedos, pela bodega de vinificação, pelos tanques de fermentação e pelo local onde os vinhos descansam em barricas.
E as taças acompanham o caminho.
A experiência Sunset, por exemplo, oferece entre cinco e seis degustações da linha Family Ambassador, servidas em diferentes pontos da propriedade. A própria vinícola define a proposta como algo maior do que um simples tour de vinhos: é uma experiência para compartilhar e apreciar o vinho com calma.
É justamente essa mudança de perspectiva que transforma a degustação.
O visitante não fica parado diante de uma mesa esperando a próxima garrafa. O vinho acompanha a paisagem, a conversa e a descoberta de cada ambiente.
Primeiro, há os vinhos para abrir a experiência. Depois, o jardim, as videiras, a estrutura de produção e as barricas. E, quando o dia começa a mudar de cor, chega um dos momentos mais marcantes: o pôr do sol diante da Cordilheira dos Andes.
É quando a paisagem deixa de ser apenas cenário e passa a fazer parte da degustação.

Uma experiência para os sentidos
A experiência na Alyan trabalha com diferentes sentidos ao mesmo tempo.
O primeiro é a visão. As montanhas ao fundo, os vinhedos, os jardins e a arquitetura da propriedade criam um cenário que muda conforme a luz do dia.
Depois vem o olfato. Antes mesmo do primeiro gole, o vinho convida o visitante a perceber aromas e características diferentes em cada taça.
O paladar entra em cena em etapas, com diferentes rótulos da linha Family Ambassador.
Mas há ainda outro elemento que talvez seja o mais importante: a memória.
O visitante não está simplesmente provando seis vinhos. Está associando cada taça a um lugar diferente, a uma conversa, a uma história da família e, no caso da experiência Sunset, ao momento em que o sol desaparece atrás da paisagem andina.
É uma degustação que procura transformar vinho em lembrança.
E a família está presente
Talvez um dos aspectos mais interessantes da Alyan seja justamente a participação dos próprios proprietários.
A vinícola destaca que os visitantes podem ter a oportunidade de encontrar os fundadores e familiares durante o passeio, conhecer diretamente parte da história da casa e ouvir histórias relacionadas à construção da adega.
Relatos de visitantes também destacam esse contato. Há avaliações descrevendo a presença dos proprietários, a recepção familiar e a sensação de estar sendo recebido não apenas como turista, mas como convidado.
Da taça para a mesa
A experiência não termina na degustação.
A proposta atual da Alyan inclui um lanche para acompanhar um dos vinhos e, ao final, uma refeição informal de cortesia, com menu fixo que pode variar. A vinícola deixa claro que não funciona como restaurante tradicional, mas procura encerrar a experiência como se o visitante estivesse à mesa da própria família.
Na experiência Sunset, esse encerramento acontece depois do percurso pela propriedade e do momento do pôr do sol.
É vinho, comida, conversa e paisagem no mesmo roteiro.
E existe uma razão para a experiência ser tão comentada entre turistas brasileiros. A própria Alyan informa que o idioma oficial do passeio é uma combinação de português e espanhol, o que facilita bastante a interação para quem chega do Brasil.
No fim, fica a história
Talvez seja impossível separar a Alyan de sua origem.
O casal que decidiu criar uma vinícola própria colocou os próprios nomes na marca. As famílias que vieram antes deles deixaram a herança vitivinícola. Os anos de trabalho deram experiência. E a propriedade aos pés dos Andes virou o lugar onde essa história pode ser compartilhada com quem chega de longe.
No final, a taça é apenas uma parte da experiência.
Há o vinho, claro.
Mas há também a montanha, o pôr do sol, os aromas, os sabores, a comida, a conversa e, principalmente, a história de Alicia e Andrés.
Porque na Alyan, o visitante não conhece apenas uma vinícola.
Conhece uma família que decidiu transformar sua paixão pelo vinho em um lugar para receber outras pessoas.
E talvez seja por isso que o nome faça tanto sentido.