Campo Grande vive avanço preocupante de doenças respiratórias: mortes sobem para 94, maioria entre idosos

8 novos óbitos confirmados apenas entre segunda (5) e terça-feira (6)...
Imagem: Divulgação

O outono mal começou e já traz um alerta sério para a saúde pública em Campo Grande: o número de mortes causadas por doenças respiratórias chegou a 94 vítimas, com oito novos óbitos confirmados apenas entre segunda (5) e terça-feira (6). A maioria das vítimas são idosos, grupo mais vulnerável a essas infecções.

Segundo dados do painel da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), 15 mortes ocorreram na última semana de abril e outras seis já foram registradas nos primeiros dias de maio. O cenário reforça a gravidade da situação que a capital sul-mato-grossense enfrenta.

Quem está mais em risco?

O levantamento aponta que 57 das 94 mortes foram de pessoas com 60 anos ou mais. Outros 26 óbitos ocorreram entre adultos de 30 a 59 anos, e nove foram de crianças. Esses números escancaram a pressão sobre o sistema de saúde — e a urgência de medidas preventivas, especialmente para os públicos mais sensíveis.

O número de casos também não para de crescer: 1.143 registros de síndromes respiratórias agudas graves (SRAG) até agora, sendo 87 novos casos apenas nas últimas 24 horas. Vale lembrar que cada entrada nessa estatística depende de confirmação por exame laboratorial.

O que está por trás do surto?

Os principais vilões da vez são os já conhecidos vírus sincicial respiratório (VSR) e a gripe influenza A. Ambos têm causado uma escalada de internações, superlotando UPAs e comprometendo a capacidade de atendimento da rede pública.

Para tentar conter a curva de contaminação, a vacinação foi liberada para toda a população nas 69 unidades de saúde da capital — uma ação emergencial para reforçar a imunização em massa.

Leitos extras e fila de espera

A situação nas unidades de saúde é crítica. Com as UPAs lotadas e uma fila de 260 pacientes aguardando internação, a prefeitura anunciou a abertura emergencial de 62 novos leitos hospitalares para adultos:

  • 20 no Hospital do Câncer Alfredo Abrão
  • 12 no Hospital São Julião
  • 30 no Hospital Adventista do Pênfigo

Todos os leitos dependem de autorização do Governo do Estado para serem ativados. Enquanto isso, a cidade tenta negociar também a abertura de 30 leitos em unidades privadas, exclusivamente para adultos.

Pronto Atendimento Infantil virou hospital

A secretária municipal de saúde, Rosana Leite, afirmou que o Pronto Atendimento Infantil funciona, na prática, como um hospital:

“Temos fisioterapia e manejo clínico intensivo lá dentro. Isso tem ajudado, mas seguimos com déficit de leitos e estamos em alerta, especialmente para as próximas cinco semanas.”

Para reforçar o suporte às crianças, as UPAs Almeida e Coronel Antonino estão com atendimento pediátrico 24 horas.

Situação de emergência continua

Campo Grande permanece sob estado de emergência em saúde pública, decretado em abril de 2024, diante da crise de leitos pediátricos. O documento foi atualizado recentemente no Diário Oficial da cidade. Segundo boletim da Secretaria Estadual de Saúde, Mato Grosso do Sul já soma 1.940 hospitalizações e 27 mortes por SRAG em 2025.

A crise é agravada pelo fato de que nenhum hospital privado da capital tem capacidade de ampliar UTIs pediátricas para atender à alta demanda do SUS (Sistema Único de Saúde).

Com o decreto em vigor, a prefeitura poderá adotar novas estratégias operacionais para reforçar o atendimento e enfrentar os desafios que ainda estão por vir.

Informações: Sesau

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