
Vibrante, autêntica e sem filtros, era assim que ela mesmo se descrevia. Neste domingo, dia 20 de julho, aos 50 anos, Preta Gil parte, após lutar contra um câncer no intestino; Cantora, atriz e apresentadora, Preta estava em Nova York, nos Estados Unidos, onde vinha passando as últimas semanas em tratamento experimental contra o câncer agressivo.
Filha de Gilberto Gil, Preta nasceu no dia 8 de agosto de 1974 e sempre viveu intensamente. Multifacetada, foi cantora, atriz, apresentadora, escritora, compositora e repórter e, mais do que isso, foi uma mulher que ousou quebrar padrões.
Em 2007, fez história ao liderar uma escola de samba. Ainda jovem, chocou o país ao posar nua na capa do seu primeiro álbum como cantora, um ato de coragem e afirmação de identidade. Em sua luta mais difícil, contra um câncer no intestino, mais uma vez enfrentou tabus de frente: compartilhou nas redes sociais sua rotina com a bolsa de ileostomia, inspirando milhares de pessoas a olharem para o corpo e a doença com mais dignidade.
Criada em um ambiente repleto de arte e música, conviveu desde cedo com ícones como seu pai, Gilberto Gil; o tio, Caetano Veloso; e a madrinha, Gal Costa. A vocação para os palcos parecia inevitável, mas a trajetória artística foi interrompida precocemente pela dor: em 1990, a perda trágica do irmão Pedro Gil, em um acidente de carro, adiou seus sonhos.
Aos 15 anos, Preta largou os estudos e o curso de canto. Mudou-se para São Paulo, trabalhou como produtora ao lado de Nizan Guanaes e, em 1994, deu à luz Francisco — que, anos mais tarde, lhe daria outro presente: sua neta Sol.
Aos 27 anos, reencontrou sua vocação. Pediu a bênção ao pai e se jogou nos palcos. Lançou quatro álbuns de estúdio, dois DVDs ao vivo, e subiu diversas vezes ao palco ao lado de Francisco e de Gilberto Gil.
Preta também marcou época no carnaval. Com seu “Bloco da Preta”, arrastou multidões pelas ruas, sempre com alegria, irreverência, inclusão e diversidade — bandeiras que levantou com orgulho.
Mesmo diante da dor, jamais deixou de compartilhar sua história. Em agosto de 2024, usou as redes sociais para anunciar a retomada do tratamento contra o câncer, que havia se espalhado por quatro partes do corpo.
Preta Gil viveu e partiu como foi sua trajetória: com coragem, entrega, verdade e luz própria. Seu legado vai muito além da música — está na força de ser quem se é, sem pedir licença.