Superação | João se reinventa após aposentadoria com cultivo de morangos 

Ao se despedir da engenharia agronômica, João Nogueira não encarou a aposentadoria como um ponto final, mas como uma vírgula no parágrafo da vida. Trocou...

Ao se despedir da engenharia agronômica, João Nogueira não encarou a aposentadoria como um ponto final, mas como uma vírgula no parágrafo da vida. Trocou os relatórios técnicos pelo cheiro doce da estufa de morangos e, aos 67 anos, decidiu recomeçar. A inquietação de quem não aceita apenas “parar” encontrou abrigo no solo fértil e no apoio da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar/MS.

Com orientação especializada em fruticultura, nasceu ali, no Sítio Sagarana, na zona rural de Campo Grande, não apenas uma plantação, mas uma nova história. João agora cultiva morangos, sonhos e um propósito renovado de vida.

“A produção de morango é desafiadora. Quando iniciei tive a sorte de saber que o Senar estava atuando na área de fruticultura e com o morango. Me senti muito mais seguro. Tudo que eu tinha de dificuldade foi diminuindo devido a essa aproximação com o Senar. Estaria praticamente sozinho se não fosse esse acompanhamento”, comenta o produtor rural.

A paixão pelo campo sempre esteve com ele. Durante décadas, trabalhou levando assistência a pequenos produtores em assentamentos pelo país, sempre de olho na agricultura familiar. Mas foi também nesse caminho profissional que cresceu o desejo de ter sua própria propriedade. Um sonho que começou com seu pai, um homem do campo que precisou ir para a cidade, mas nunca perdeu o desejo de voltar às raízes. O pai se foi antes de ver o sonho realizado, mas João decidiu levar o legado adiante.

Comprou o sítio ainda durante a ativa, mas o espaço, pensado originalmente para a pecuária leiteira, ficou um tempo sem produzir. Tentou o leite, mas o retorno financeiro não veio. Quando finalmente se aposentou, há cerca de dois anos e meio, veio o questionamento: “E agora, o que vou fazer para não ficar parado?”.

A resposta estava nos frutos. Em uma viagem ao Paraná, João conheceu um produtor de morangos que utilizava o sistema semi-hidropônico, modelo que permite o cultivo em bancadas elevadas, facilitando o manejo e tornando o trabalho mais leve, especialmente para quem já não quer se abaixar o tempo todo. “Achei fantástico porque vi que era adequado, principalmente para pessoas mais idosas, porque você trabalha em pé. Na hora, pensei: é isso que eu quero para mim”, conta.

Mesmo com toda bagagem técnica, João sabia que começar uma cultura nova em um estado onde a produção de morangos ainda engatinha seria um desafio. Foi então que o Senar/MS entrou em cena. Por meio da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), o produtor passou a receber visitas regulares de um técnico com experiência específica na cultura, o que fez toda diferença. “É uma constante troca de aprendizados, pois vencemos juntos as adversidades para a fruticultura e assim, vamos fortalecendo toda a cadeia. O Senar me deu direção, segurança e companhia nesse processo. Sozinho seria muito mais difícil.”

Hoje, João cultiva cerca de 2.500 plantas e adotou um modelo de venda diferente: o “colha e pague”.

Nos fins de semana, famílias inteiras visitam o sítio, percorrem os canteiros, colhem os morangos direto do pé e levam para casa o frescor da experiência. “As crianças adoram, os adultos se encantam. É mais do que vender fruta, é oferecer um momento com a natureza.”

E ele quer mais. Já iniciou o plantio de outras frutas como banana, goiaba, pêssego e pitaia, com o plano de transformar o sítio em um espaço de contemplação, onde a produção convive com o lazer e a conexão com o campo.

Manter-se ativo nunca foi um problema para João. Diariamente, ele caminha mais de quatro quilômetros entre as estufas, cuidando de cada detalhe da produção. “O morango me permite estar ativo. É bom para o meu corpo e os desafios que traz isso também a minha mente de procurar soluções. Essa é minha inspiração e eu agradeço todos os dias por ter essa oportunidade durante minha aposentadoria”.

Com o apoio do Senar/MS, João não apenas manteve seu ritmo após a aposentadoria. Reencontrou, também, o sentido do que sempre acreditou: que o campo é feito de trabalho, sim, mas também de sonhos cultivados com cuidado, técnica e amor pela terra.

Informações: Famasul

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