Agosto Lilás | Defensoria leva informação e apoio a mulheres da periferia na capital

Em um país onde a violência contra a mulher ainda insiste em se repetir, muitas vezes dentro do próprio lar, a informação surge como ferramenta...

Roda de Conversa entre Nudem e moradoras da comunidade Esperança, de Campo Grande (crédito da foto: Matheus Teixeira)

Em um país onde a violência contra a mulher ainda insiste em se repetir, muitas vezes dentro do próprio lar, a informação surge como ferramenta de resistência. Foi com esse propósito que a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul esteve na comunidade Esperança, em Campo Grande, para dialogar com mulheres sobre seus direitos e os caminhos para romper o ciclo da violência. A iniciativa integra o Agosto Lilás, campanha nacional de enfrentamento à violência contra as mulheres.

Durante a roda de conversa, a defensora Kricilaine Oliveira Souza Oksman, coordenadora do Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres (Nudem), destacou como as agressões, em geral, começam de forma sutil e vão se intensificando. “Raros são os casos em que o homem bate na mulher na primeira situação. Normalmente, a violência vai escalando: começa com xingamentos, humilhações, desqualificação da autoestima”, explicou.

A defensora ressaltou ainda que a rede de proteção no Estado oferece alternativas seguras para quem decide denunciar. “A mulher pode ser encaminhada para um abrigo sigiloso, onde permanece com seus filhos, tem sua vida e liberdade resguardadas e recebe apoio para recomeçar. Existem programas de qualificação profissional, auxílio para mobiliar uma nova casa, remuneração temporária e até garantia de estabilidade no emprego em caso de ausência justificada pela violência”, detalhou.

A assistente social do Nudem, Isabela Alves Nantes Zacarias, reforçou que mesmo quando a vítima já se encontra psicologicamente fragilizada, há caminhos para sair da situação. “Muitas vezes, a mulher é levada a acreditar que a culpa é dela. Nosso papel é mostrar que não é, e que ela pode se proteger e buscar ajuda”, afirmou.

O encontro também deu voz a relatos pessoais. Uma das moradoras, que preferiu não se identificar, contou que sofreu agressões de um ex-companheiro e perdeu a irmã para o feminicídio. “Ela tinha 36 anos, deixou três filhos órfãos. O assassino foi condenado. Depois do que vivi e presenciei, não tolero mais violência de nenhum tipo”, declarou emocionada.

A roda de conversa, intitulada “Roda Lilás: o Nudem e a Cufa em Defesa das Mulheres da Comunidade”, foi realizada em parceria com a Central Única das Favelas (Cufa) de Campo Grande, sob a gestão de Letícia Polidório. Além do diálogo, a Defensoria distribuiu informativos e prestou atendimentos individuais às participantes.

O Agosto Lilás foi criado para conscientizar e mobilizar a sociedade no combate à violência de gênero, tendo como marco a Lei Maria da Penha, sancionada em agosto de 2006. Ao levar informação e acolhimento até a periferia, a Defensoria reforça um recado essencial: violência contra a mulher é crime, não pode ser silenciada, e há caminhos para romper esse ciclo.

Informações: Defensoria Pública/MS

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