Mercado imobiliário na capital cresce no 2º trimestre e metro quadrado tem alta de até 40%

O setor imobiliário de Campo Grande encerrou o segundo trimestre de 2025 em ritmo de crescimento, registrando alta nos lançamentos, avanço nas vendas e valorização...

Imagem aérea de Campo Grande (Foto: Divulgação)

O setor imobiliário de Campo Grande encerrou o segundo trimestre de 2025 em ritmo de crescimento, registrando alta nos lançamentos, avanço nas vendas e valorização no preço médio do metro quadrado. As informações constam no Censo Imobiliário, elaborado pela Brain Inteligência Estratégica em parceria com o Sindicato Intermunicipal da Indústria da Construção de Mato Grosso do Sul (Sinduscon-MS), divulgado nesta segunda-feira (8).

Em julho, o levantamento nacional feito com 1.200 entrevistados mostrou outros dados interessantes: 49% dos entrevistados declararam intenção de comprar um imóvel nos próximos 24 meses, o maior percentual já registrado na pesquisa. A maioria dos interessados pretende realizar a compra em até um ano (30%).

O estudo mostrou ainda que apartamentos são o tipo de imóvel mais desejado (46%), seguidos por casas em ruas comuns (41%). O principal motivo de aquisição é a busca por sair do aluguel ou conquistar a primeira moradia (45%), seguido pelo desejo de ampliar a residência (34%) e de investir (15%).

Já no mercado vertical da capital, os lançamentos tiveram desempenho positivo em algumas categorias. Em determinados segmentos, o crescimento foi de até 73% em empreendimentos lançados e 20% a 37% em número de unidades.

O presidente do Sinduscon-MS, Kleber Luiz Recalde, afirma que empresário sempre acompanha o comportamento do mercado. “Quando há forte demanda e baixa oferta, naturalmente surge o interesse em investir. No entanto, essa decisão não depende apenas desse fator: outros elementos também influenciam de forma significativa”, revela.

Foi destacado também que o sindicato considera o programa Minha Casa Minha Vida como um dos principais impulsionadores das vendas, sobretudo no segmento popular, que responde por cerca de 50% das negociações.

“No mercado imobiliário, o fator decisivo para o comprador é a capacidade de pagamento. Programas como o Minha Casa Minha Vida ampliam esse poder de compra por meio de subsídios diretos e taxas de juros reduzidas, bem abaixo da média de mercado. Isso facilita o acesso à moradia, especialmente para famílias de baixa renda. Além disso, temos políticas regionais, como o Bônus Moradia, que também contribuem bastante. Essas iniciativas são fundamentais para tornar o imóvel acessível e estimular o crescimento do setor”, destaca.

Diante do ‘boom imobiliário’ em Inocência, o presidente afirma que o sindicato vem trabalhando na qualificação da mão de obra. “O Sinduscon tem trabalhado intensamente na qualificação da mão de obra, inclusive com programas voltados às mulheres, em parceria com o Senai e a Prefeitura. Nosso objetivo é preparar melhor os profissionais locais e também mostrar que o setor não se resume a trabalhos pesados ou insalubres. Hoje a construção civil utiliza muita tecnologia e oferece boas oportunidades de carreira. Para se ter ideia, como primeiro emprego, é o segundo setor que mais remunera na economia”, explica.

No acumulado de 12 meses, os lançamentos subiram até 27% em alguns perfis de imóveis. O Valor Geral de Lançamento (VGL) também avançou, registrando aumento de 109% no trimestre, embora o acumulado anual tenha apresentado variações negativas em determinados padrões.

O head Centro-Oeste e Norte na Brain Inteligência Estratégica, Anderson Gonçalves, explica que nas pesquisas de intenção de compra realizadas em Campo Grande é bastante positivo. “Enquanto a média nacional está em 49%, aqui o índice chega a 70%, mostrando um apetite de compra acima da média. Isso ocorre em um cenário de estoque reduzido, preços em elevação e forte demanda”, aponta.

Gonçalves afirma que há lacunas em diferentes segmentos em Campo Grande. “Imóveis econômicos, compactos, de alto e altíssimo padrão. Em todos esses casos, a oferta é baixa frente ao interesse do público. Isso reflete a pujança da cidade e o aquecimento do mercado. Se não houver lançamentos, enfrentaremos escassez de produtos imobiliários”, diz.

Vendas em expansão

O aumento registrado no trimestre foi de 53% em alguns segmentos, já no acumulado de 12 meses, houve alta de 47% em unidades vendidas, com destaque para apartamentos de tipologias específicas, que mostraram forte absorção pelo mercado.

O Valor Geral de Vendas (VGV) também apresentou crescimento, com avanço de 57% no trimestre em determinados perfis de imóveis e alta acumulada de até 55% em 12 meses.

Apesar do ritmo positivo nos lançamentos, a oferta final caiu em 31% no trimestre em algumas categorias. Em um cenário sem novos lançamentos, a estimativa é de que o estoque atual de imóveis disponíveis em Campo Grande se esgote em oito meses.

Quando o assunto é o preço do metro quadrado na capital, a média foi de aumento de 14% no segundo trimestre. O destaque foi para imóveis de dois dormitórios, que ficaram 36% mais caros, e para os de quatro dormitórios ou mais, que registraram valorização de 40%. Já as unidades de um quarto tiveram alta de 23%.

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