
Um bolo no meio da Rua 14 de Julho, velas acesas e o tradicional coro de “Parabéns”. O que parecia festa, na verdade, foi um protesto. A cena simbólica marcou, nesta quarta-feira (10), os 43 meses em que Campo Grande permanece sem estacionamento rotativo no centro da cidade.

Desde março de 2022, quando o serviço foi suspenso, desapareceram mais de 800 vagas. O reflexo imediato foi a queda no movimento: o ticket médio passou de R$ 152 para R$ 49, retração de 67,9% em apenas três anos.
“Se não há onde estacionar, não há cliente. Sem cliente, não há venda. Essa é a equação simples que a Prefeitura insiste em ignorar. Estamos há quase quatro anos pedindo o óbvio: que o estacionamento rotativo volte a funcionar”, declarou o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Adelaido Figueiredo.
Os impactos no comércio vão além das estatísticas. Lojistas relatam queda de até 32% no faturamento em 12 meses, migração de consumidores para os shoppings, fechamento de lojas e perda de empregos. O centro, antes pulsante, hoje enfrenta sensação de abandono.
“O coração econômico da cidade está em colapso. O comércio representa mais de 80% da economia de Campo Grande, mas o centro foi deixado para trás. Não é apenas estacionamento: é sobrevivência”, reforçou Figueiredo.
A Prefeitura chegou a sancionar, em 2024, a lei que permite nova concessão do sistema e anunciou a publicação de edital em 2025, mas nenhuma medida foi efetivada até agora. A demora é questionada pela CDL, que colocou sua assessoria jurídica à disposição para ajudar a destravar o processo.
“Se existe entrave, queremos ajudar a resolver. O que não dá é assistir, mês após mês, o centro perder vitalidade enquanto o poder público empurra a decisão”, concluiu o presidente da entidade.
Informações: CDL