
Medida vale até 30 de novembro e busca agilizar ações de combate ao fogo em todos os 79 municípios do estado
O Governo de Mato Grosso do Sul decretou, nesta quinta-feira (18), estado de emergência ambiental em todo o território estadual, com vigência até 30 de novembro. A decisão foi tomada em razão do agravamento da chamada “temporada de incêndios”, marcada pela combinação de estiagem prolongada, baixa umidade do ar e altas temperaturas, que têm favorecido o avanço do fogo em áreas de vegetação nativa.
Com a medida, o estado ganha instrumentos para acelerar a resposta às ocorrências, incluindo a dispensa de licitações para aquisição de equipamentos e serviços essenciais ao combate das chamas. O decreto também autoriza a realização de ações emergenciais de prevenção, atendimento a desastres e recuperação de áreas atingidas, que poderão ser executadas em até um ano, sem prorrogação dos contratos.
Segundo o governo, a iniciativa busca conter não apenas a propagação do fogo, mas também seus impactos sobre a saúde da população, a segurança pública e o meio ambiente. “As condições climáticas registradas neste período aumentam os riscos e exigem medidas imediatas para proteger vidas e patrimônios”, destacou a administração estadual em nota.
Na prática, o cenário já é crítico. O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul registrou, na quarta-feira (17), o reacendimento de focos de incêndio na Serra da Bodoquena. A área afetada ainda está em avaliação, mas as equipes atuaram rapidamente para controlar as chamas, reforçando a urgência da situação.
As temperaturas em diversas cidades chegaram a 42°C nesta semana, enquanto a umidade relativa do ar variou entre 10% e 30%, índices muito abaixo do ideal. O Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec) alerta que a condição de calor intenso e clima seco deve se manter nas próximas semanas, com chuvas irregulares e possibilidade de influência do fenômeno La Niña durante a primavera.
Dados históricos mostram que, entre outubro e dezembro, o estado registra precipitação média entre 400 mm e 500 mm, com diferenças marcantes entre regiões. O nordeste e o extremo sul chegam a acumular até 600 mm, enquanto o noroeste costuma receber apenas 300 mm a 400 mm. Já as temperaturas médias giram entre 24°C e 26°C, podendo ser mais elevadas no noroeste (até 28°C). Para este ano, a previsão indica índices bem acima da média, agravando o quadro de seca e incêndios.
Diante da gravidade, o governo reforça a importância da cooperação entre poder público e sociedade civil. A população deve seguir as orientações das autoridades, evitar práticas de risco e contribuir para minimizar os impactos de um período que já se mostra desafiador para a saúde coletiva e para a preservação ambiental no Mato Grosso do Sul.