Mato Grosso do Sul se firma como laboratório vivo da agenda verde e inspira o Brasil rumo ao Carbono Neutro 2030

Mato Grosso do Sul vem se consolidando como uma das principais referências nacionais na chamada “agenda verde”, mostrando ao país e ao mundo que é...

Projeto sustentável do Louro-Preto (Cordia glabrata) / Foto: Allan Couto

Mato Grosso do Sul vem se consolidando como uma das principais referências nacionais na chamada “agenda verde”, mostrando ao país e ao mundo que é possível conciliar crescimento econômico com respeito ao meio ambiente. Alinhado ao programa estadual Carbono Neutro 2030, o estado não apenas avança em suas próprias metas, como também aponta caminhos práticos para enfrentar os desafios das mudanças climáticas.

Um dos centros de inovação desse movimento é a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), em Aquidauana. Ali, ciência e sustentabilidade caminham lado a lado, em projetos que unem tecnologia, preservação e desenvolvimento produtivo. A meta é clara: recuperar áreas degradadas, incentivar a produção sustentável e cultivar um futuro em que prosperidade e natureza coexistam em harmonia.

O momento de valorização ganha ainda mais força em setembro, mês em que se celebra o Dia da Árvore (21), data que reforça a importância da educação ambiental e do planejamento sustentável.

PackSeed: tecnologia a serviço da recuperação ambiental

Projeto “Sistema ILPF no Ecótono Cerrado-Pantanal” é outro destaque da UEMS / Foto: Allan Couto

Entre as iniciativas de destaque está o PackSeed – Inovação na Dispersão de Sementes, criado em parceria com a startup EcoSeed. O projeto aposta em soluções de baixo custo para recuperar áreas degradadas e já conta com um protótipo que será testado em campo ainda neste ano.

“O projeto não tem como foco principal o sequestro de carbono, mas inevitavelmente contribui para a fixação de carbono atmosférico”, explica Allan Motta Couto, docente da UEMS e engenheiro florestal. Ao lado dele está Adriana Soares Luzardo Couto, engenheira florestal e agrônoma, que destaca a proposta de democratizar o acesso à tecnologia: “Queremos tornar a recuperação ambiental viável para produtores e instituições que buscam reflorestar ou revitalizar seus solos”.

Louro-Preto e pecuária mais sustentável

Outro trabalho relevante desenvolvido em parceria com a Embrapa Pantanal utiliza o Louro-Preto (Cordia glabrata) em pastagens, promovendo arborização, bem-estar animal e produtividade. “Não se trata apenas de carbono, mas de criar um microclima adequado que favoreça o desempenho da pecuária”, ressalta Couto.

Nessa mesma linha, o projeto Sistema ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta) no Ecótono Cerrado-Pantanal avalia o impacto do cultivo de eucalipto em áreas de pecuária. Os resultados são animadores: um hectare de ILPF pode imobilizar até 18 toneladas de CO₂ por ano, o equivalente à emissão anual de nove carros. “Nosso objetivo é mudar a mentalidade local, mostrando que o componente arbóreo pode gerar ganhos ambientais e produtivos”, completa o pesquisador.

Silvicultura e o desafio do Carbono Neutro

A engenheira agrônoma Larissa Pereira Ribeiro Teodoro, da UFMS, também reforça a importância da silvicultura nesse processo. Em pesquisa financiada pela Fundect, entre 2022 e 2024, ela comprovou que o cultivo de eucalipto em Mato Grosso do Sul emite menos CO₂ do solo do que outros sistemas, além de apresentar alto potencial de estoque de carbono.

“O avanço da silvicultura no estado contribui para a economia e para a meta de neutralidade de carbono até 2030. Mas os sistemas integrados, como a pecuária-floresta, oferecem ainda mais benefícios, unindo produtividade, diversidade e preservação ambiental”, analisa a pesquisadora.

Mato Grosso do Sul, gigante em florestas plantadas

Os números reforçam a vocação verde do estado. Dados da Semadesc mostram que cinco dos dez municípios com maior área de florestas plantadas do Brasil estão em Mato Grosso do Sul. Somados, Ribas do Rio Pardo, Três Lagoas, Água Clara, Brasilândia e Selvíria reúnem mais de 1 milhão de hectares de florestas plantadas, colocando o estado como o segundo do país nesse ranking.

Com projetos inovadores, parcerias entre universidades, startups, produtores e órgãos de pesquisa, Mato Grosso do Sul mostra que sustentabilidade não é apenas discurso, mas prática diária. E, nesse caminho, transforma-se em referência nacional de como prosperidade econômica e responsabilidade ambiental podem caminhar juntas rumo a um futuro carbono neutro.

Informações: UEMS, Governo MS / Fotos: Arquivo Professor Allan Couto/UEMS

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