
As supostas aparições de onças na região da Vila Nasser, em Campo Grande, que causaram alvoroço entre os moradores nos últimos dias, não passam de uma montagem. As imagens, amplamente compartilhadas em grupos de WhatsApp e redes sociais, foram geradas por inteligência artificial, segundo confirmou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
A foto que mostrava uma onça-parda caminhando tranquilamente por uma praça, em plena luz do dia, chamou atenção pela nitidez e aparente realismo. Mas, de acordo com a superintendente estadual do Ibama em Mato Grosso do Sul, Joanice Lube Battilani, a cena não aconteceu na capital sul-mato-grossense.
“É uma montagem feita com IA. O povo enlouqueceu. É a mesma onça dessa outra foto, até a mancha preta na pata”, afirmou Joanice. A imagem original, segundo ela, havia sido publicada em 17 de setembro nas redes sociais de um jornal de Jaboticabal, no interior de São Paulo.
Pouco depois, outra imagem, desta vez de uma onça-pintada supostamente andando pela Rua Rosa Ladaga, se espalhou com a mesma velocidade. E também era falsa. “Chegamos à conclusão de que essa da onça-pintada também é fake, porque dá para ver as patas através das grades”, explicou a superintendente.
PMA não encontrou vestígios do animal
Diante da repercussão, equipes da Polícia Militar Ambiental (PMA) realizaram vistorias em residências desabitadas, chácaras e áreas de mata próximas a cursos d’água no entorno da Vila Nasser. O objetivo era confirmar se havia qualquer sinal do felino.
Segundo o capitão Rocha, subcomandante do 1º Batalhão da PMA, o trabalho não revelou indícios concretos. “Apesar do empenho das equipes, a PMA reitera que, até o momento, não encontramos qualquer vestígio ou indício que comprove a presença do felino, como pegadas, pelos ou carcaças. O monitoramento da área, contudo, segue mantido”, informou.
O oficial também fez um alerta sobre os riscos da desinformação. “A facilidade em criar e compartilhar imagens falsas de animais pode desviar o foco e os recursos essenciais das equipes que estão em campo buscando vestígios reais”, ressaltou.
Os rumores começaram após ser mencionado na sessão da Câmara Municipal da última quinta-feira (2), que uma onça-pintada e seu filhote estariam circulando pela região norte da Capital.
A partir daí, mensagens com relatos desencontrados inundaram os grupos de WhatsApp. “Ela está na Coophasul, viram perto dos condomínios. Está bem pertinho, rondando o bairro”, dizia um dos áudios compartilhados.
Outros afirmavam que o animal estava com filhote, aumentando a sensação de pânico entre os moradores. No entanto, nenhuma das mensagens apresentava provas concretas.
Checagem desmente os boatos
Após a circulação das imagens, o Jornal Midiamax realizou uma checagem e confirmou que se tratava de montagens produzidas com ferramentas de inteligência artificial. As fotos originais, feitas em outro Estado, foram manipuladas digitalmente para parecerem retratar locais da Vila Nasser.
O Ibama reforçou que “muita informação falsa tem circulado” e esclareceu ainda que a imagem de um potro supostamente atacado pela onça também era antiga, registrada no distrito de Rochedinho, em outra ocasião.
Mesmo sem sinais do animal, a PMA mantém o monitoramento da área e orienta a população sobre como agir diante de casos semelhantes. O órgão recomenda que, em eventuais avistamentos reais, os moradores façam registros fotográficos ou em vídeo e encaminhem o material diretamente aos órgãos ambientais, evitando o compartilhamento em redes sociais.
As principais orientações são: verificar a fonte antes de repassar qualquer conteúdo, confiar apenas em informações de canais oficiais e não compartilhar imagens sem confirmação de autenticidade.
Também foram reforçadas medidas preventivas, como evitar circular sozinho em áreas periféricas, especialmente à noite, manter crianças e animais domésticos em locais seguros e não deixar restos de alimentos expostos.
E diante de mais um caso do uso de IA no cotidiano, o Comunica na TV deixa o questionamento: Será que as pessoas estão ultrapassando os limites no uso das IAS? O que era uma “brincadeira” mobilizou a polícia, atrapalhou verdadeiras ocorrências e gerou muita fake news nas redes. A busca, em breve, não será mais pela “onça”, mas pela responsabilidade no uso de novas ferramentas. Ou não?