Nasce no Pantanal a primeira base veterinária avançada do Brasil para salvar animais selvagens em desastres ambientais

O Pantanal, uma das maiores extensões úmidas do planeta, acaba de ganhar um aliado poderoso na luta pela preservação da vida. Instalado na Reserva Particular...

O Pantanal, uma das maiores extensões úmidas do planeta, acaba de ganhar um aliado poderoso na luta pela preservação da vida. Instalado na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Acurizal, na Serra do Amolar, o primeiro posto médico-veterinário avançado em área remota do país começa a operar com o objetivo de atender animais selvagens atingidos por desastres ambientais, como os incêndios florestais que, nos últimos anos, devastaram vastas áreas do bioma.

A estrutura, batizada de Base de Resgate Técnico Animal (Barta), é mantida pelo Instituto Homem Pantaneiro (IHP), com apoio de instituições parceiras e do World Animal Protection (WAP). O posto recebeu neste mês de outubro a licença de funcionamento emitida pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), tornando-se oficialmente a primeira unidade fixa e licenciada do gênero no país.

Mais do que um posto veterinário, a Barta representa um novo paradigma no enfrentamento de emergências ambientais em regiões isoladas. Sua localização estratégica na Serra do Amolar, um dos pontos mais remotos e de difícil acesso do Alto Pantanal, permitirá resposta rápida e qualificada a situações de risco, ampliando as chances de sobrevivência da fauna local. O monitoramento do IHP já identificou ali mais de uma centena de espécies, entre elas mais de dez ameaçadas de extinção.

A analista ambiental Franciele Oliveira, responsável técnica pela base, lembra que a criação da Barta é fruto das lições dolorosas deixadas pelos incêndios de 2020. “A Barta nasceu da dor e da urgência daqueles incêndios, quando o IHP, junto com o Gretap e outros parceiros, entendeu que era preciso uma resposta permanente à altura dos desafios da região. Hoje, ela representa esperança, compromisso e cuidado com a vida no coração do Pantanal”, afirma.

Segundo Franciele, a base está preparada para oferecer atendimento emergencial e estabilização clínica de animais silvestres e domésticos, garantindo socorro imediato dentro do próprio bioma, algo inédito no Brasil. “Isso aumenta significativamente as chances de sobrevivência até o encaminhamento seguro ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS), em Campo Grande, quando necessitam de cuidados prolongados”, detalha.

A estrutura conta com salas de atendimento, estabilização e esterilização, além de almoxarifado veterinário e área de preparo e assepsia. Entre os equipamentos, estão mesa de procedimento, foco cirúrgico, autoclave, cilindro de oxigênio, redes, caixas de transporte e kits de contenção.

A Barta reúne uma equipe multidisciplinar composta por médicos-veterinários, biólogos, brigadistas e técnicos ambientais, que atuam em conjunto em operações de campo, resgate e manejo da fauna. “Antes dessa unidade estar regulamentada, os resgates dependiam de longos deslocamentos até centros urbanos, o que reduzia drasticamente as chances de sobrevivência dos animais. Além de salvar vidas, a base fortalece o trabalho integrado entre resgate, ciência e educação ambiental”, reforça Franciele.

Mas o trabalho da Barta vai além do atendimento emergencial. A base também é voltada à prevenção e promoção da saúde única, conceito que integra o bem-estar de animais, seres humanos e meio ambiente. O espaço servirá como centro de capacitação prática em resgate técnico animal para médicos-veterinários, biólogos e brigadistas, além de desenvolver ações de educação ambiental junto a escolas ribeirinhas e comunidades indígenas.

Em situações de emergência, as equipes do IHP seguem protocolos rigorosos de busca, contenção e estabilização clínica. Após o resgate, os animais são avaliados e atendidos na base, e cada caso é registrado e comunicado aos órgãos ambientais competentes, garantindo legalidade e transparência nas ações.

Com a Barta, o Pantanal ganha mais do que uma estrutura física: ganha um símbolo de resistência e cuidado. Um posto avançado de vida, erguido no mesmo território que tantas vezes foi consumido pelo fogo, agora dedicado a devolver fôlego à fauna que faz do bioma um dos ecossistemas mais ricos do planeta.

Informações: Instituto Homem Pantaneiro

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