Árbitra da FIFA, alvo de fala machista no fim de semana, é sul-mato-grossense

Árbitra da FIFA, professora e três-lagoense, Daiane Muniz, foi alvo de uma declaração que indignou o Brasil no último fim de semana. Daiane apitou o...

A árbitra de futebol Daiane Muniz é vista de perfil durante uma partida. Ela tem os cabelos castanhos presos em um coque alto e firme, e utiliza um sistema de comunicação (headset) no ouvido. Veste o uniforme oficial de arbitragem na cor amarelo vibrante com detalhes em preto. Sua expressão é séria e concentrada. Ao fundo, as arquibancadas do estádio aparecem desfocadas com torcedores vestindo azul.
Daiane Muniz é natural de Três Lagoas (Foto: Reprodução Redes Sociais)

Árbitra da FIFA, professora e três-lagoense, Daiane Muniz, foi alvo de uma declaração que indignou o Brasil no último fim de semana. Daiane apitou o jogo entre São Paulo x Bragantino e, após a derrota do Bragantino por 2 a 1, foi citada em uma fala machista do zagueiro do time.

Na declaração, o zagueiro Gustavo Marques, do Bragantino, disse: “Primeiramente, quero falar da arbitragem porque não adianta jogar contra São Paulo, Palmeiras, Corinthians e eles colocarem uma mulher para apitar um jogo desse tamanho. Era nosso sonho chegar à semifinal, ou até a final, mas ela acabou com nosso jogo. Acho que a Federação Paulista tem que olhar para os jogos desse tamanho e não colocar uma mulher. Todo respeito às mulheres do mundo, sou casado, tenho minha mãe, então desculpa se estou falando alguma coisa para as mulheres”, declarou o zagueiro em entrevista após a partida para uma equipe de reportagem da emissora TNT.

Gustavo Marques usou as redes sociais para se desculpar

Em postagem nas redes sociais, o jogador pediu desculpas pelas declarações dadas após a derrota do Bragantino para o São Paulo pelas quartas de final da competição: “Estava de cabeça quente e muito frustrado pelo resultado da nossa equipe e acabei falando o que não deveria e poderia. Isso não justifica minha atitude e peço desculpas a todas mulheres e em especial a Daiane […]. Espero sair desse episódio uma pessoa melhor. Prometo aprender com esse erro”.

Após a partida o Bragantino emitiu uma nota na qual lamentou o episódio e afirmou que estudará uma punição ao jogador: “O Red Bull Bragantino vem a público reforçar o pedido de desculpas a todas as mulheres e, principalmente, à árbitra Daiane Muniz.

O clube não compactua e repudia a fala machista do zagueiro Gustavo Marques, dita após a partida […]. Sabemos que o peso de uma eliminação é frustrante, mas nada justifica o que foi dito. Seja no futebol ou em qualquer meio da sociedade. O clube vai estudar nos próximos dias a punição que será aplicada ao atleta”.

Quem também se pronunciou foi a Federação Paulista de Futebol (FPF), que afirmou que encaminhará a declaração de Gustavo Marques à Justiça Desportiva: “É com profunda indignação e revolta que a Federação Paulista de Futebol recebeu a entrevista do atleta Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, após a partida contra o São Paulo […]. Uma declaração em relação à árbitra Daiane Muniz que reflete uma visão primitiva, machista, preconceituosa e misógina, incompatível com os valores que regem a sociedade e o futebol. É absolutamente estarrecedor que um atleta, em qualquer circunstância, questione a capacidade de um árbitro com base em seu gênero. A FPF tem orgulho de contar em seu quadro com 36 árbitras e assistentes e continua trabalhando ativamente para que este número cresça […]. A FPF encaminhará tais declarações à Justiça Desportiva, para que esta tome todas as providências cabíveis”.

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