O boletim de destaque da semana vai para a crise provocada pela carta de Jair Bolsonaro no PL de Mato Grosso do Sul, que entrou em um novo capítulo na última quarta-feira (4).
Após uma reunião em Brasília, as principais lideranças envolvidas afirmam que a aliança está mantida e tentam conter a tensão interna com um recado político direto: “No Mato Grosso do Sul não tem espaço para a esquerda”.
O encontro reuniu o ex-governador Reinaldo Azambuja, o governador Eduardo Riedel, o senador Flávio Bolsonaro e o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto. A reunião ocorre após Bolsonaro declarar, por meio de carta, apoio ao deputado federal Marcos Pollon como seu candidato ao Senado no Estado, movimento que embaralha o acordo costurado em 2024 para a disputa das duas vagas.

Publicamente, o discurso agora é de unidade. Nos bastidores, porém, o cenário segue delicado. O entendimento original previa como candidatos ao Senado Azambuja e o ex-deputado Capitão Contar. Com a entrada de Pollon no jogo e a possibilidade, ainda ventilada, de uma segunda indicação ligada a Bolsonaro, como a vice-prefeita de Dourados Gianni Nogueira, o PL pode chegar a quatro interessados para apenas duas vagas.
Mesmo com pesquisas internas indicando desempenho inferior a 6% para os novos nomes citados, o peso político do aval de Bolsonaro altera o ambiente. A sinalização do ex-presidente fortalece Pollon dentro da legenda e reabre a disputa interna sobre qual critério prevalece: a preferência pessoal da principal liderança nacional ou a viabilidade medida por pesquisas.
Após o encontro, a estratégia passa a ser clara: preservar a aliança que sustenta o projeto de reeleição de Riedel em 2026 e impedir que a crise interna fragilize o campo da direita no Estado. A frase repetida pelos aliados,: “No Mato Grosso do Sul não tem espaço para a esquerda”, funciona como eixo de convergência e tentativa de desviar o foco do conflito interno para o adversário externo.
Ainda assim, a tensão não desaparece. Capitão Contar reafirma que existe um acordo para que os dois nomes mais competitivos nas pesquisas sejam levados à convenção. Ele mantém a posição de disputar o Senado e descarta plano alternativo. Pollon, por sua vez, passa a atuar respaldado diretamente por Bolsonaro.
A janela partidária ainda aberta mantém o cenário em movimento e amplia o poder de negociação. Embora o discurso oficial seja de pacificação, o PL sai da reunião com unidade declarada, mas com uma disputa latente pela segunda vaga ao Senado.
A campanha ainda não começou oficialmente, mas a batalha interna já se desenha. A direita sul-mato-grossense mantém o palanque unificado no discurso e, em alerta nos bastidores.