
Mato Grosso do Sul vive um dos momentos mais críticos já registrados no enfrentamento à chikungunya. Com 11 municípios em situação de epidemia, sete mortes confirmadas e mais de 3,2 mil casos prováveis apenas nos três primeiros meses de 2026, o Estado se consolida como o epicentro da doença no país neste início de ano.
O avanço acelerado preocupa autoridades de saúde. Em comparação com todo o ano de 2025, quando foram contabilizados 17 óbitos, o número atual já representa 41,18% desse total, um indicativo claro de que a curva de crescimento da doença ganhou força em ritmo alarmante.
No cenário nacional, Mato Grosso do Sul lidera o ranking de mortes por chikungunya, com sete registros confirmados. Em seguida aparecem estados como Mato Grosso e São Paulo, com dois óbitos cada. Bahia, Goiás, Rondônia e Minas Gerais somam uma morte cada. Entre as vítimas sul-mato-grossenses, apenas duas apresentavam comorbidades, o que reforça a gravidade da doença mesmo em pessoas sem histórico clínico relevante.
Perfil dos casos revela diferenças
Dados do Ministério da Saúde mostram que, no Estado, os homens são maioria entre os infectados, representando 57% dos casos. Já no panorama nacional, o cenário se inverte: mulheres concentram 58% das notificações.
A faixa etária mais atingida está entre 20 e 49 anos, com destaque para adultos jovens e de meia-idade. Ainda assim, os casos mais graves e fatais têm atingido extremos de idade, como bebês e idosos.
Impacto desproporcional entre indígenas

Um dos recortes mais alarmantes da epidemia em Mato Grosso do Sul é o impacto sobre a população indígena. Dos sete óbitos confirmados, cinco ocorreram em aldeias de Dourados, o que representa 71,43% das mortes no Estado.
Entre as vítimas estão dois bebês, de apenas 1 e 3 meses, além de três idosos com idades entre 60 e 73 anos. O dado expõe a vulnerabilidade dessas comunidades diante da circulação do vírus e levanta alerta para a necessidade de ações específicas de proteção.
Casos recentes e cidades em alerta
O óbito mais recente foi confirmado no último sábado (28): uma idosa de aproximadamente 80 anos, moradora de Jardim. O município, a cerca de 239 quilômetros de Campo Grande, já soma 261 casos prováveis, com incidência de 1.065 casos por 100 mil habitantes, índice que caracteriza epidemia.
Em Bonito, outro ponto de atenção, um idoso de 72 anos morreu em decorrência da doença. A cidade contabiliza 57 casos confirmados e outros 74 suspeitos.
No geral, Mato Grosso do Sul lidera também a incidência nacional da doença, com 110,7 casos por 100 mil habitantes, superando estados como Goiás e Rondônia. Do total de notificações, 56,67% já foram confirmadas, enquanto 43,3% seguem em investigação.
Diante do avanço da chikungunya, a Prefeitura de Dourados decretou situação de emergência em saúde pública. A medida, válida por 90 dias, permite intensificar ações de combate ao mosquito transmissor e ampliar a capacidade de resposta da rede de saúde.
O município recebeu ainda reforço financeiro: o Ministério da Saúde autorizou o repasse de R$ 900 mil, destinados a ações de vigilância epidemiológica, controle do Aedes aegypti, qualificação do atendimento e suporte às equipes de saúde.
Doença pode deixar sequelas e levar à morte
Transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectada, a chikungunya é uma arbovirose que provoca sintomas semelhantes aos da dengue, porém, geralmente mais intensos e prolongados. Febre alta e dores articulares severas são as principais características, podendo persistir por semanas.
Em muitos casos, as dores evoluem para quadros crônicos, afetando a qualidade de vida por anos. A doença também pode causar complicações graves, como problemas neurológicos, cardiovasculares e renais, além de levar à internação e, em situações extremas, à morte.