
A sessão da Câmara Municipal de Campo Grande nesta terça-feira (28) foi marcada por protesto contra a lei que proíbe as mulheres trans de utilizarem banheiros públicos femininos na Capital e de movimentos sociais favoráveis à reforma agrária contrários ao projeto de lei chamado de “Abril Verde e Amarelo”. Os manifestantes lotaram o plenário da Casa.
Os dois grupos apresentaram faixas, bandeiras e cartazes, além de gritarem palavras de ordem contra os vereadores. Os trabalhos legislativos foram iniciados, mas com a interrupção constante dos manifestantes e incômodo dos parlamentares, o presidente da Câmara, Epaminondas Vicente Neto, o Papy (PSDB), suspendeu a sessão por alguns minutos e conversou com o público presente.
A equipe de elite da Guarda Civil Metropolitana, a Romu, chegou a ser acionada para caso a confusão saísse do controle. No entanto, o conflito ficou contido em gritos e vaias contra os parlamentares, incluindo Papy.
Os vereadores mais insultados foram André Salineiro e Rafael Tavares, ambos do PL. O primeiro é o autor do projeto de lei que barrou mulheres trans em banheiros femininos e do PL 11.789/25, que institui o Abril Verde e Amarelo em Campo Grande – em alusão e contraponto ao Abril Vermelho dos movimentos sem terra -, dedicado a ações de conscientização sobre a importância da defesa da propriedade privada.
O vereador Jean Ferreira (PT) classificou a lei que discrimina mulheres trans sancionada pela prefeita Adriane Lopes (PP) como “transfóbica”.
“Hoje os movimentos sociais ocuparam a Câmara Municipal para dizer não à lei transfóbica que a prefeita Adriane Lopes aprovou na última semana e também contra o projeto de lei que foi aprovado em primeira votação; hoje será a segunda votação no projeto que criminaliza as ocupações e os movimentos populares e sem-terra”, discursou o petista.
Como de hábito na Câmara de Vereadores da Capital, o protesto popular não surtiu efeito, e o PL 11.789/25 foi aprovado com nove votos favoráveis e sete contrários.