SES-MS investiga caso suspeito de hantavírus na capital

Campo Grande acendeu um alerta para uma doença rara, mas extremamente perigosa. A Secretaria de Estado de Saúde confirmou que Mato Grosso do Sul investiga...

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Campo Grande acendeu um alerta para uma doença rara, mas extremamente perigosa. A Secretaria de Estado de Saúde confirmou que Mato Grosso do Sul investiga um caso suspeito de hantavirose, doença transmitida principalmente pelo contato com fezes, urina e saliva de roedores silvestres contaminados.

Inicialmente, o caso era tratado como leptospirose, mas exames complementares passaram a investigar outras doenças com sintomas semelhantes. O prazo para conclusão da investigação pode chegar a 60 dias. Até o momento, a SES não divulgou informações sobre o paciente.

E olha só esse dado: Mato Grosso do Sul não registra um caso confirmado de hantavírus desde 2019. Nos últimos 11 anos, foram 107 notificações suspeitas, mas apenas 7 confirmações da doença.

Confira a distribuição dos casos:

A hantavirose é uma doença transmitida principalmente pela inalação de partículas contaminadas provenientes de urina, fezes e saliva de pequenos roedores silvestres infectados. Marsupiais (mamíferos como gambás e cuícas) e morcegos infectados também podem estar associados, mas são casos menos comuns.

Embora a ocorrência da doença seja registrada em todo o país, o Centro-Oeste, Sul e Sudeste concentram o maior percentual de casos confirmados. Além disso, as ocorrências são mais comuns em áreas rurais. Os pacientes, em sua maioria, têm ocupações relacionadas à agricultura, como trabalhadores rurais ou profissionais envolvidos em limpeza de depósitos, silos, galpões e locais fechados.

Conforme a SES, no início da doença, os sintomas não são específicos, mas podem incluir febre, dores musculares, dor na região dorsolombar, dor abdominal, cansaço intenso, forte dor de cabeça e alterações gastrointestinais, como náuseas, vômitos e diarreia. 
Esse primeiro período pode durar de um a seis dias, chegando, em alguns casos, a duas semanas antes de apresentar melhora temporária.

Outro sinal de alerta envolve o aparecimento de tosse seca, sintoma que pode indicar a evolução para uma forma mais grave da doença. Nesses casos, pode haver comprometimento cardiopulmonar, ocorrendo aumento da frequência cardíaca, dificuldade para respirar e redução da oxigenação no sangue.

O quadro pode evoluir rapidamente para acúmulo de líquido nos pulmões, queda de pressão arterial e comprometimento da circulação, exigindo atendimento médico imediato.

 
Em alguns casos, o paciente pode apresentar comprometimento renal, geralmente leve ou moderado. Essa é a fase com maior risco de óbitos por conta da rápida evolução e da gravidade das complicações.

Para diagnosticar a doença, são realizados exames em laboratórios de referência. O diagnóstico é feito, basicamente, por meio da sorologia. Esses testes são disponibilizados pelo Ministério da Saúde. Ou seja, a cadeia de vigilância epidemiológica em Mato Grosso do Sul funciona da seguinte maneira: 
O paciente que se enquadra no critério é notificado como caso suspeito; então, essa notificação chega ao Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), do Governo Federal. Em seguida, a vigilância epidemiológica municipal coleta dados clínicos e epidemiológicos, que passam por investigação laboratorial.

Por fim, a gerência de zoonoses da SES monitora o caso suspeito até o encerramento.

Tanto na rede pública quanto na privada, ainda não há medicamentos antivirais específicos para o tratamento das infecções por hantavírus. É por isso que todo paciente com suspeita de síndrome cardiopulmonar por hantavírus deve ser encaminhado com urgência para uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

 
O tratamento é de suporte clínico e busca controlar os sintomas e as complicações da doença, podendo incluir hemodiálise, suporte respiratório com oxigenação e medidas para prevenir ou tratar quadros de choque.

Prevenção

Seguindo os manuais e as diretrizes do Ministério da Saúde, é importante que a população evite o acúmulo de lixo, entulhos, restos de alimentos e materiais que possam servir de abrigo e alimento para os roedores. Manter alimentos, rações e grãos armazenados em recipientes fechados e à prova de roedores também é fundamental.

Além disso, recomenda-se a limpeza de ambientes fechados e possivelmente contaminados somente após a ventilação mínima de 30 minutos. É importante evitar varrer locais com sinais de roedores secos, para que nenhum pó seja inalado, mas utilizar pano úmido com detergente ou solução desinfetante à base de hipoclorito durante a limpeza. Recomenda-se utilizar equipamentos de proteção individual, luvas, avental e óculos de proteção em situações de risco ocupacional ou durante investigações ambientais.

 Hantavirose passa de humano para humano?


Na última semana, o Ministério da Saúde divulgou uma nota informando que o surto de hantavírus em um navio não representa um risco para o Brasil até o momento. Nesse mesmo documento, esclareceu que não há registro de circulação do genótipo Andes no país, variante relacionada aos episódios raros de transmissão interpessoal registrados na Argentina e no Chile.

Ou seja, os casos humanos confirmados no Brasil, em 2026, não apresentam transmissão entre pessoas. Até o momento, o país identificou apenas casos envolvendo o genótipo de Orthohantavírus em roedores silvestres.

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