
Sebastião Salgado foi um homem cuja sensibilidade moldou gerações, despertou consciências e semeou esperança. O fotógrafo partiu nesta sexta-feira, 23 de maio, aos 81 anos, em Paris, cidade onde viveu e trabalhou por décadas, mas nunca deixou de carregar consigo as raízes profundas do Vale do Rio Doce, em Aimorés, Minas Gerais, onde nasceu.
Filho do Brasil rural, Sebastião transformou a dureza da terra e a beleza da natureza em imagens eternas, que transcendem a estética e tocam a essência do humano. Sua câmera não foi apenas um instrumento técnico, mas uma extensão do seu olhar compassivo e inquieto, sempre em busca de revelar tanto as maravilhas escondidas do planeta quanto as feridas abertas pela ação humana.
Por mais de 50 anos, Salgado atravessou fronteiras físicas e emocionais, registrando com maestria as belezas inexploradas da natureza e as duras realidades sociais: o êxodo, o trabalho árduo, a migração forçada, os conflitos, mas também a resistência, a dignidade e a esperança. Sua obra não apenas documentou o mundo, mas nos obrigou a encará-lo, a refletir sobre ele e, principalmente, a transformá-lo.
Ao lado de sua companheira de vida e de missão, Lélia Deluiz Wanick Salgado, Sebastião fez muito mais do que fotografar: ele plantou árvores, literalmente. O Instituto Terra, criado pelo casal, é a materialização do seu sonho de regenerar aquilo que a mão humana destruiu. Reflorestar, para ele, era um gesto de amor — pela terra, pelas futuras gerações, pela vida.
Como bem expressou o Instituto Terra: “Sebastião foi muito mais do que um dos maiores fotógrafos de nosso tempo. Sua lente revelou o mundo e suas contradições; sua vida, o poder da ação transformadora”.
Com esta singela homenagem, o Comunica na TV deseja que a trajetória de Sebastião Salgado siga inspirando outros a olhar o mundo com mais empatia, a lutar pela justiça e a cuidar da nossa casa comum.