
A compreensão de que aquilo que vivemos na infância influencia nossa vida adulta não é propriamente uma novidade.
Várias vertentes da psicologia já se debruçaram sobre o assunto e o próprio Sigmund Freud, pai da psicanálise, defendia que as experiências, traumas e desejos reprimidos dos nossos primeiros anos de vida atuam no nosso inconsciente, formando a base da personalidade adulta.
O que a ciência descobriu sobre as lembranças da infância
Um estudo publicado em 2019 na revista científica Health Psychology, no entanto, aprofundou essa discussão.
Liderada por William J. Chopik e Robin S. Edelstein, da Michigan State University e da University of Michigan, respectivamente, a pesquisa analisou dados de mais de 22 mil participantes, reunidos em dois grandes levantamentos sobre desenvolvimento, saúde e aposentadoria nos Estados Unidos.
O objetivo foi investigar como as lembranças da relação com os pais na infância se associam à saúde física e mental durante a meia-idade e a velhice.
A análise revelou que participantes que recordavam ter uma infância mais afetuosa apresentavam menos sintomas depressivos e menos doenças crônicas ao longo da vida.
Além disso, dentre as diferentes lembranças analisadas pelos pesquisadores, duas apresentaram uma associação especialmente forte com melhores indicadores de saúde mental e bem-estar na terceira idade.
As duas lembranças da infância associadas a uma vida mais saudável
Segundo o estudo de Chopik e Edelstein, adultos que recordavam ter recebido mais carinho, afeto e cuidado dos pais, especialmente da mãe, durante a infância apresentavam, anos depois, menos sintomas depressivos e menor ocorrência de doenças crônicas.
Essas associações permaneceram mesmo após os pesquisadores considerarem fatores como idade e características socioeconômicas dos participantes, verificando que, independentemente dessas variáveis, as pessoas que recordavam ter tido uma infância mais afetuosa continuavam apresentando melhores indicadores de saúde, principalmente mental.
Outra lembrança que os pesquisadores associaram a melhores indicadores de saúde décadas mais tarde foi a de pais acolhedores diante dos momentos difíceis da infância, oferecendo conforto, carinho e compreensão quando os filhos enfrentavam problemas.
Os pesquisadores sugerem que experiências de cuidado e apoio na infância podem influenciar a forma como as pessoas enfrentam desafios ao longo da vida, embora o estudo tenha medido diretamente apenas a relação entre essas lembranças e indicadores de saúde física e mental.