
A ideia de que o cuidado com a saúde masculina deve se restringir a campanhas como o Novembro Azul ainda revela um comportamento preocupante no Brasil. Dados do Centro de Referência em Saúde do Homem, em São Paulo, indicam que sete em cada dez homens só procuram atendimento médico por insistência da família, enquanto mais da metade adia a consulta até o agravamento dos sintomas.
Esse atraso pode trazer consequências sérias. Alterações discretas, especialmente na próstata e no sistema urinário, costumam evoluir de forma silenciosa, comprometendo não apenas a qualidade de vida, mas também funções vitais, como a dos rins, podendo levar até à insuficiência renal.
A experiência do auditor-fiscal tributário César Thadeu Moraes de Alencar, de 65 anos, reforça a importância da prevenção. Adepto de consultas regulares, ele identificou precocemente uma alteração ao perceber dificuldade para urinar. “A vontade vinha, mas o jato era fraco. Procurei ajuda e os exames apontaram o problema”, relata.
O diagnóstico foi de obstrução do colo vesical, condição que dificulta a passagem da urina e pode estar associada a alterações na próstata. Embora seja mais comum em homens a partir dos 50 anos, o problema também pode atingir pessoas mais jovens, inclusive mulheres.

Segundo o urologista Henrique Coelho, mesmo sintomas considerados leves exigem atenção. “Muitos homens apresentam sinais iniciais, como jato urinário fraco ou dificuldade para iniciar a micção, e acabam ignorando.
Sem tratamento, o quadro pode evoluir, afetar a bexiga e comprometer os rins”, explica.
O especialista também chama atenção para o preconceito que ainda afasta pacientes dos consultórios. “Há um receio recorrente em relação ao toque retal, mas é importante esclarecer que nem todo diagnóstico depende desse exame. Hoje contamos com métodos modernos e menos invasivos, capazes de avaliar com precisão a saúde da próstata e da bexiga”, destaca.
A obstrução do colo vesical tem tratamento, que pode variar entre o uso de medicamentos e procedimentos cirúrgicos, conforme a causa e a gravidade do caso. “O maior problema não é o exame, mas o atraso no cuidado. Quanto antes investigarmos os sintomas, maiores são as chances de um tratamento simples e eficaz”, reforça o médico.
Agora em preparação para a cirurgia, César reforça o alerta. “Se eu não tivesse mantido os check-ups, talvez só descobrisse quando a situação estivesse mais grave”, afirma.