Após mortes por metanol, bares de MS são orientados a descartar bebidas suspeitas

A morte de três pessoas em São Paulo por intoxicação causada por bebidas adulteradas com metanol acendeu um sinal de alerta em todo o país,...

Vítimas relataram sintomas após consumirem bebidas alcoólicas (Foto: Angela Schafer)

A morte de três pessoas em São Paulo por intoxicação causada por bebidas adulteradas com metanol acendeu um sinal de alerta em todo o país, e não é a toa, essa substância é um mais importantes insumos na indústria química, sendo usado como matéria-prima para sintetizar produtos químicos utilizados na produção de adesivos, solventes, pisos e revestimentos. Em escala industrial, é produzido predominantemente a partir do gás natural.

Em Mato Grosso do Sul, ainda não há registros de casos, mas a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-MS) mobilizou uma série de orientações para prevenir riscos, incluindo o descarte imediato de qualquer produto suspeito.

Segundo o presidente da entidade no estado, João Francisco Denardi, a preocupação é legítima. “A falsificação e a adulteração de bebidas são crimes graves contra o consumidor, que colocam vidas em risco e prejudicam os estabelecimentos sérios e comprometidos com a legalidade”, destacou.

A recomendação segue a mesma linha do Ministério da Justiça: bares e restaurantes devem suspender a venda diante de qualquer suspeita e acionar as autoridades. Os sinais de alerta incluem preços muito abaixo do mercado, erros de impressão nos rótulos, lacres irregulares e odor semelhante ao de solventes.

Além disso, a Abrasel reforça que os produtos devem ser adquiridos apenas de distribuidores reconhecidos e confiáveis. A entidade também articula, junto às autoridades locais, medidas adicionais de fiscalização para evitar que o problema chegue a Mato Grosso do Sul.

Em Campo Grande, a Vigilância Sanitária mantém fiscalizações de rotina para verificar qualidade e procedência das bebidas comercializadas. Até agora, nenhuma irregularidade foi detectada.

Enquanto isso, em São Paulo, o Comitê Técnico do Sistema de Alerta Rápido (SAR) confirmou dez casos de intoxicação até a última segunda-feira (29), três deles fatais. As vítimas apresentaram sintomas logo após consumir bebidas destiladas, como gin, vodca e uísque, em ambientes sociais, um padrão inédito no Brasil, já que, até então, os registros de intoxicação por metanol estavam mais associados ao consumo de álcool adulterado em situações de vulnerabilidade.

Uma força-tarefa nacional, coordenada pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas do Ministério da Justiça, investiga os responsáveis pela adulteração e já apreendeu mais de 100 garrafas em bares e adegas de São Paulo. O Ministério da Saúde, por sua vez, reforçou protocolos para que unidades de urgência e emergência notifiquem imediatamente qualquer caso suspeito de intoxicação exógena.

O metanol é um álcool altamente tóxico, usado na indústria química, e sua ingestão pode causar cegueira e até a morte. Entre os sintomas iniciais estão visão turva, náusea, vômito, dores abdominais e sudorese. Diante desses sinais, a orientação é buscar atendimento médico urgente e contatar serviços especializados, como o Disque-Intoxicação da Anvisa (0800 722 6001).

O episódio, que ainda está em investigação, expõe os riscos de um crime que atinge tanto consumidores quanto o setor de bares e restaurantes, e reforça a importância da fiscalização e da atenção redobrada ao que chega às mesas dos brasileiros.

As vítimas internadas relataram que os sintomas começaram logo após o consumo de bebidas alcoólicas. Uma das vítimas ficou cega ao consumir caipirinha batizada.

Outra vítima, um jovem estudante está internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) há um mês. Ele descreveu que passou mal, apresentando vômito e dores abdominais.

Informações: Abrasel

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