
A Arquitetura da Zona Rural e Urbana de Nova Alvorada do Sul (1878–2023) foi o tema de estudos e pesquisa do arquiteto Fábio Fernando Martins, que lança oficialmente seu próximo livro no dia 27 de outubro.
A obra é resultado de um ano e meio de pesquisas e reúne registros de 23 fazendas, além de dezenas de imóveis localizados na área urbana. O trabalho percorre diferentes períodos da ocupação regional e apresenta construções que ajudam a compreender a formação do município, desde as antigas estruturas de madeira e alvenaria até a arquitetura contemporânea. A arquitetura pode revelar muito mais do que estilos e técnicas de construção. Nas paredes, nos materiais e nas formas de ocupar o espaço estão registrados os costumes, as tradições e as histórias das famílias que ajudaram a formar uma cidade. É a partir desse olhar que o arquiteto e escritor Fábio Fernando Martins apresenta seu segundo livro, dedicado à história de Nova Alvorada do Sul, município de Mato Grosso do Sul que completa 35 anos de emancipação.
A pesquisa também resgata a memória das famílias que contribuíram para o desenvolvimento local, revelando como as construções preservam marcas de diferentes gerações, modos de vida e transformações sociais. Mais do que documentar edificações, a proposta é registrar parte do patrimônio histórico e cultural que permanece presente na paisagem rural e urbana.
Uma cidade jovem, com raízes que atravessam gerações
Embora Nova Alvorada do Sul tenha conquistado sua emancipação política há 35 anos, sua história remonta a períodos anteriores à criação do município. Antigo distrito de Rio Brilhante, a cidade carrega referências de uma ocupação que deixou vestígios em fazendas, residências e estabelecimentos comerciais.
É justamente essa conexão entre passado e presente que conduz a nova obra de Fábio Fernando Martins. O livro segue uma linha semelhante à de sua publicação anterior, dedicada à arquitetura e à história de Rio Brilhante, ampliando agora o olhar para outro município sul-mato-grossense.
“Como a cidade ainda é jovem, então nós vamos ter também obras da zona rural, arquitetura em madeira, posterior arquitetura em alvenaria, mas também essa arquitetura mais contemporânea, mais atual”, explica o autor ao falar sobre o conteúdo da publicação.
O recorte histórico de 1878 a 2023 permite observar mudanças nos materiais, nas técnicas construtivas e nas formas de ocupação do território. Ao reunir essas referências, a obra contribui para preservar informações que, sem o devido registro, podem desaparecer com a demolição de imóveis, a transformação das propriedades e o passar das gerações.
Uma construção incomum chama a atenção durante as pesquisas
Entre os achados da pesquisa, uma construção em particular surpreendeu o arquiteto. Em uma das fazendas mais antigas da região, ele encontrou uma residência de alvenaria elevada sobre palafitas, característica que não havia identificado durante o levantamento realizado para seu primeiro livro.
A estrutura, acessada por uma escada, chamou a atenção pela singularidade e pelo fato de ainda resistir ao tempo. A descoberta também levantou questionamentos sobre as condições da época em que foi construída e as necessidades que podem ter motivado aquela solução arquitetônica.
“Uma arquitetura que eu encontrei numa dessas fazendas bem antigas, e uma característica peculiar que eu ainda não tinha encontrado na outra pesquisa do outro livro, que foi uma residência de alvenaria suspensa por palafitas”, relata Fábio.
Ao tentar compreender a finalidade da construção, o pesquisador considera as características ambientais da região naquele período. “Mas acredito que aqui, por conta da mata fechada na época, seria para os bichos não subirem ou não entrarem”, avalia.
A hipótese evidencia um dos aspectos mais interessantes do trabalho: a arquitetura também funciona como registro das estratégias utilizadas pelos antigos moradores para lidar com o ambiente, os recursos disponíveis e as condições de vida de cada época.
Preservar a arquitetura é preservar a memória
O livro amplia o acervo de registros sobre a história de Nova Alvorada do Sul e reforça a importância de reconhecer o patrimônio arquitetônico como parte da identidade de uma comunidade. Casas, fazendas e imóveis comerciais não representam apenas estruturas físicas. Eles também guardam histórias familiares, práticas culturais e sinais das mudanças que moldaram o município.
Ao documentar essas construções, a obra aproxima diferentes gerações e contribui para que a memória local seja conhecida para além dos relatos transmitidos oralmente.
Para o autor, cada cidade tem uma contribuição própria para a história regional e nacional. “É muito interessante, tão quanto a história de qualquer cidade do estado, do Brasil, que contribui para esse acervo arquitetônico, que também fez parte da história do estado, do Brasil, com seus estilos, suas características, seus relatos orais, sua cultura, seu tempo”, destaca.
A publicação convida o leitor a observar Nova Alvorada do Sul por uma perspectiva diferente: a de que a história não está apenas nos documentos oficiais ou nas datas comemorativas, mas também nas construções que permanecem de pé e nas marcas deixadas por quem viveu e construiu a cidade.
O lançamento será realizado no dia 27 de outubro, às 19h, no Clube Espaço e Lazer, em Nova Alvorada do Sul, com noite de autógrafos, coquetel e apresentações culturais para convidados. A obra chega como um novo registro da trajetória do município e um convite à valorização de sua memória arquitetônica e cultural.