Campo-grandense relata momentos de desespero durante terremoto de magnitude 7,4 na Colômbia

A experiência de estar no 10º andar de um prédio durante um terremoto de magnitude 7,4 transformou a manhã da campo-grandense Ana Luiza Benato e...

A experiência de estar no 10º andar de um prédio durante um terremoto de magnitude 7,4 transformou a manhã da campo-grandense Ana Luiza Benato e Silva, de 25 anos, em um momento de medo, desespero e, posteriormente, reflexão sobre a fragilidade da vida. Ana é pesquisadora e estudante de doutorado e está há quase quatro meses em Bogotá, na Colômbia, onde participa de um projeto de internacionalização da pós-graduação por meio do Programa de Desenvolvimento Acadêmico Abdias Nascimento.

O terremoto ocorreu por volta das 7h34 da manhã de segunda-feira, dia 10, e atingiu diferentes regiões da Colômbia, um forte tremor que também foi sentido em Bogotá, onde Ana estava em seu apartamento.

“Estava dormindo, acordei com a cama balançando e com o som dos objetos em meu quarto batendo”, contou.

Moradora de um apartamento no décimo andar, Ana Luiza percebeu que o prédio também se movimentava. “Apesar da intensidade do tremor, nenhum móvel caiu ou objeto se quebrou dentro do apartamento. Como foi um terremoto de grande escala, senti as coisas balançando, assim como o prédio que eu moro, meus móveis não chegaram a cair e nada se quebrou, mas senti tudo com muita intensidade”, relatou.

Por estar dormindo e ainda bastante cansada da noite anterior, Ana demorou alguns instantes para compreender a situação.

Segundo ela, uma espécie de instinto fez com que despertasse. Ainda deitada e sentindo a cama e os objetos se movimentarem, pegou o celular e pesquisou por ‘terremoto Bogotá’.

“Vi a imagem, ainda deitada na cama e sentindo o tremor, e não consegui associar bem. Segundos depois, uma amiga me ligou perguntando se estava tudo bem. Foi quando levantei da cama e consegui associar o que estava acontecendo”, contou.

A sensação de movimento, segundo Ana, permaneceu por um longo período. “Meu corpo ficou balançando por cerca de 30 minutos. Não era possível ficar em pé.”

Horas depois, já mais consciente sobre o que havia acontecido, ela passou a refletir sobre a dimensão de um terremoto e sobre a diferença entre a imagem que muitas pessoas têm desse tipo de desastre e a experiência de senti-lo.

“Muitas vezes pensamos que o terremoto é aquela imagem de tudo destruído, mas é um tremor muito forte que acontece em segundos e seus danos seguem, muitas vezes, por anos”, afirmou.

“Minha primeira reação foi de completo desespero”

Diante da intensidade do tremor, Ana conta que não sabia exatamente o que fazer ou quais objetos deveria levar consigo.

“Minha primeira reação foi de completo desespero. Não sabia bem o que fazer, nem o que pegar”, relatou.

Ela conseguiu pegar o passaporte, colocou um casaco, avisou o pai, que vive no Brasil, e deixou o apartamento pelas escadas de emergência.

A saída, porém, foi marcada pelo medo.

“Saí correndo pelas escadas de emergência, cuidando para não cair, respirando de maneira ofegante, com lágrimas e tentando me regular apertando os dedos, tapando os ouvidos e segurando um objeto de conforto.”

Ana também conta que o alarme do prédio contribuiu para aumentar ainda mais a tensão naquele momento.

“O som do alarme é tenebroso, parece que está dentro da sua cabeça”, descreveu.

Brasileiros se encontraram após o terremoto

Em Bogotá, Ana Luiza conta que também tem dois amigos brasileiros que sentiram o terremoto com intensidade. Apesar do susto, os três estão seguros e não tiveram nenhum tipo de dano.

No final do dia, os amigos se encontraram em uma tentativa de recuperar a tranquilidade depois da experiência.

“Todos nós estamos seguros e sem nenhum tipo de dano. Inclusive nos encontramos no final do dia (10/08) em uma tentativa de nos acalmarmos e cuidarmos uns dos outros”, contou.

Segundo Ana, até o momento em que concedeu o relato, não tinha conhecimento de grandes danos materiais em Bogotá ou de pessoas feridas na cidade. Ela, porém, recebeu relatos de grande nervosismo e de algumas paredes trincadas.

A preocupação da pesquisadora também está voltada para outras regiões atingidas pelo terremoto.

“Entretanto, outras cidades, como Cali, estão em uma situação profundamente triste e crítica”, afirmou.
Ana Luiza está em Bogotá há quase quatro meses. A estadia na capital colombiana faz parte de sua trajetória acadêmica e está relacionada a um projeto de internacionalização de pós-graduação.

A jovem é pesquisadora e estudante de doutorado e participa do Programa de Desenvolvimento Acadêmico Abdias Nascimento.

A experiência de viver temporariamente em outro país, que até então estava marcada principalmente pela rotina acadêmica, ganhou uma dimensão inesperada com o terremoto.

Longe da família, Ana teve como uma das primeiras preocupações avisar o pai, que estava no Brasil, de que estava segura.

“Estou feliz por estar viva e segura”

Passado o momento mais crítico, Ana afirma estar fisicamente bem, mas emocionalmente abalada.

“Me encontro em uma mescla de sentimentos muito grande. Me sinto feliz por estar viva e segura, mas também me sinto muito ansiosa, tensa com a possibilidade de acontecer novamente e preocupada com colombianas e colombianos que estão em uma situação crítica.”

Apesar do medo, ela afirma que também ficou com um sentimento profundo de gratidão.

“Estou bem fisicamente, mas emocionalmente abalada. Ao mesmo tempo, me sinto grata pela vida e por todas as pessoas que têm se preocupado comigo e com esse país tão lindo que me acolheu.”

Para Ana, a experiência mudou sua percepção sobre a própria vida.

“Creio que, com tudo isso, aprendi a valorizar a minha vida ainda mais.”

A partir do terremoto, ela passou a refletir sobre como acontecimentos inesperados podem mudar tudo em questão de segundos.

“Gostaria que todas as pessoas que estão lendo isso saibam que a vida é curta e pode mudar em questão de segundos.”

A jovem faz então um convite para que as pessoas não deixem para depois aquilo que realmente importa: amar, abraçar, se declarar, aproveitar uma refeição especial, ouvir uma música, cuidar dos animais de estimação, presentear a si mesmas, perdoar e estar perto de quem amam.

“Não tenha medo de ser feliz hoje”, afirma.

Solidariedade às vítimas

Mesmo estando segura em Bogotá, Ana diz que não consegue deixar de pensar nas pessoas atingidas pelo terremoto e nas famílias que enfrentam as consequências da tragédia.

“Também gostaria de deixar minhas sinceras e profundas condolências a todas as pessoas e familiares que foram assolados por essa catástrofe. Espero que possam encontrar conforto naquilo que creem, que se encontrem bem o quanto antes e que possam se recuperar em todos os sentidos.”

O terremoto de magnitude 7,4 foi registrado na Colômbia na manhã desta segunda-feira (10) e foi sentido em diferentes regiões do país, incluindo Bogotá. A intensidade do tremor fez com que moradores deixassem prédios e buscassem áreas consideradas mais seguras.

Para a campo-grandense que vive temporariamente na capital colombiana, a experiência de sentir a terra se mover ficará como uma lembrança difícil de esquecer, mas também como um lembrete da importância de viver plenamente.

“Desfrute, pois nunca sabemos quanto tempo temos.”

Texto: Daniele Ramos

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