
O aumento no preço dos combustíveis marcou o comportamento da inflação em Campo Grande no início de 2026 e pressionou o orçamento das famílias logo no primeiro mês do ano. Dados divulgados nesta terça-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) registrou alta de 0,48% em janeiro na Capital sul-mato-grossense.
O resultado representa avanço de 0,31 ponto percentual em relação a dezembro de 2025 e coloca a inflação acumulada dos últimos 12 meses em 3,6%. Apesar da elevação, o índice local permanece abaixo da média nacional, que ficou em 4,44% no mesmo período. No Brasil, o IPCA fechou janeiro com variação de 0,33%, repetindo o desempenho do mês anterior.
Segundo o levantamento, o principal impacto no bolso do consumidor campo-grandense veio do grupo transportes, responsável por 0,11 ponto percentual do índice. A pressão inflacionária foi impulsionada principalmente pela alta dos combustíveis, com destaque para o etanol, que subiu 3,32%, e a gasolina, que ficou 2,05% mais cara. O aumento no preço dos automóveis novos, com variação de 1,12%, também contribuiu para o resultado.
Na contramão, alguns itens ajudaram a conter a inflação, como o transporte por aplicativo, que apresentou queda expressiva de 22,35%, e as passagens aéreas, com recuo de 7,44%.
Outro grupo que influenciou o índice foi o de habitação, responsável por 0,09 ponto percentual da inflação mensal. Os custos subiram 0,59%, puxados pelo reajuste de 3,98% na taxa de água e esgoto. Por outro lado, houve alívio na conta de energia elétrica residencial, que recuou 1,18% com a mudança da bandeira tarifária amarela, vigente em dezembro, para a verde em janeiro.
Entre os setores com maior variação percentual, o vestuário liderou, com alta de 1,25%, impulsionada pelo aumento nos preços de joias e camisetas masculinas. Os artigos de residência também subiram, com variação de 0,87%, refletindo reajustes em itens como ar-condicionado e ventiladores.
A alimentação e bebidas foi o único grupo a registrar queda, com variação negativa de 0,05%, trazendo algum alívio ao orçamento doméstico. A alimentação dentro de casa recuou 0,23%, puxada pela redução nos preços do arroz (-5,21%), leite longa vida (-3,60%) e frango em pedaços (-4,59%). Ainda assim, produtos importantes da cesta básica tiveram alta significativa, como o tomate, que disparou 22,03%, a batata-inglesa, com aumento de 7,79%, e o queijo, que ficou 3,31% mais caro.
Já as despesas com alimentação fora do domicílio subiram 0,50%, ritmo maior que o registrado no mês anterior, influenciado principalmente pelo encarecimento dos lanches.
No grupo saúde e cuidados pessoais, a inflação foi de 0,68%, com destaque para o aumento de perfumes, maquiagem e óculos de grau. Em contrapartida, medicamentos como antidiabéticos, remédios para pressão e controle de colesterol e psicotrópicos apresentaram queda nos preços.
As despesas pessoais mantiveram tendência de alta observada desde julho do ano passado e cresceram 0,47%, com elevação nos custos de atividades culturais, bicicletas e brinquedos. Apenas alimentos para animais e serviços de estética registraram redução.
O setor de comunicação também apresentou aumento relevante, de 1,01%, impulsionado pelo encarecimento de aparelhos telefônicos e reajustes em serviços como TV por assinatura e combos de telefonia e internet. Já o grupo educação registrou leve queda de 0,03%, marcando o terceiro mês consecutivo de retração, influenciado principalmente pela redução nos preços de cadernos e autoescola.
Além do IPCA, o IBGE divulgou o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que mede a inflação para famílias com renda entre um e cinco salários mínimos. Em Campo Grande, o índice subiu 0,44% em janeiro e acumula alta de 3,33% nos últimos 12 meses, também abaixo da média nacional.
Enquanto a alimentação e a educação apresentaram queda no INPC, os maiores aumentos ocorreram nos grupos habitação, artigos de residência, vestuário, transportes, saúde, despesas pessoais e comunicação.
Os dados reforçam que, embora a inflação em Campo Grande siga em patamar relativamente controlado, o aumento nos combustíveis e nos custos de serviços essenciais continua exercendo pressão sobre o custo de vida da população, especialmente no início do ano, período tradicionalmente marcado por reajustes e reorganização das despesas familiares.