Começa em Inocência construção da primeira ferrovia shortline privada do país

A Arauco Brasil iniciou a implantação da primeira ferrovia shortline do País dentro do modelo de autorização concebido pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e que...

Foto: Mairinco de Paula

A Arauco Brasil iniciou a implantação da primeira ferrovia shortline do País dentro do modelo de autorização concebido pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e que vai ligar a futura fábrica de celulose Sucuriú à Malha Norte. A cerimônia de lançamento da pedra fundamental da ferrovia aconteceu nessa sexta-feira (6), em Inocência, com as presenças dos ministros Renan Filho (Transportes), Simone Tebet (Planejamento), senadores Tereza Cristina e Nelsinho Trad, do governador Eduardo Riedel, secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck; entre outras autoridades.

Pela Arauco, estavam presentes o presidente do Grupo no Brasil, Carlos Altimiras; o diretor de Logística e Suprimento, Paulo Alberto Pagano; o diretor de Sustentabilidade e Relações Institucionais, Theófilo Militão e o diretor Financeiro, Hector Pino.

O ramal ferroviário com aproximadamente 45 quilômetros de extensão representará investimento aproximado de R$ 1,2 bilhão. Vai conectar a planta industrial da Arauco à Ferrovia Norte Brasil (Malha Norte), em Inocência, e permitir que toda a celulose produzida na futura fábrica seja escoada por transporte ferroviário até o porto de Santos, de onde seguirá por navios ao mercado consumidor internacional.

Competitividade e sustentabilidade

“Isso garante competitividade ao produto”, ponderou o secretário Jaime Verruck. “Ferrovia significa economicidade, menor emissão de CO2, redução de custo do frete, fazendo com que o produto de Mato Grosso do Sul seja mais competitivo no mundo. Essa é a primeira ferrovia shortline no Brasil e esperamos que outras fábricas de celulose também façam investimentos em logística”, completou o secretário.

“Por muito tempo o desenvolvimento passou por nós, agora ele começa por aqui”, comemorou o prefeito de Inocência Antônio Ângelo dos Santos. “A princesinha logo se tornará rainha da Costa Leste”, previu, referindo-se a sua cidade.

“Desde 2011 vivemos esse sonho, quando a Arauco era a esperança de mais uma fábrica de celulose. Agora a indústria já saiu do chão, começou forte”, relembrou a senadora Tereza Cristina.

Simone Tebet contou que seu pai, Ramez Tebet, em 1975, em discurso de posse na Prefeitura de Três Lagoas, já pleiteava a vinda de uma fábrica de celulose ao município. “Isso tudo para reverenciar os grandes homens públicos que lutaram por essa terra”, ponderou. “Todos foram muito importantes.”

Foto: Mairinco de Paula

“Nunca um empreendedor fez uma ferrovia na história moderna do Brasil por esse modelo de autorização”, disse o ministro dos Transportes, Renan Filho. Após comemorar os investimentos na ferrovia da Arauco, ele anunciou a relicitação da Malha Oeste ainda para esse ano. A ferrovia Malha Oeste está desativada há anos e atravessa o Estado de Leste a Oeste, desde Três Lagoas a Corumbá.

“Vamos investir outros R$ 850 milhões em Mato Grosso do Sul, para concluir acesso à ponte de Porto Murtinho e reconstruir a rodovia”, acrescentou Renan Filho.

Riedel também puxou da memória para relembrar sua parcela de contribuição para vinda da Arauco. “O que mais me chamou a atenção foi quando um senhor de idade avançada, com uma cabeça excepcional e que lidera o grupo, me disse em visita que fiz ao Chile, que tinham tudo para vir a Mato Grosso do Sul. Mas queria antes olhar em meus olhos, soube que eu tinha sido eleito governador e queria ter certeza de que seria um bom investimento. Eu disse que a Arauco podia vir de olhos fechados. O que melhor temos a oferecer é confiança e credibilidade”, afirmou.

“Sonhos bem planejados saem do papel e movem desenvolvimento, sustentabilidade e compromisso com o futuro. Em minha visão, o que celebramos hoje não é apenas o começo de uma ferrovia, é uma visão estratégica de longo prazo, a materialização de um projeto que já nasce conectado ao mundo”, disse o presidente da Arauco Brasil.

A ferrovia não é um complemento, mas parte principal do Projeto Sucuriú, disse Altimiras. “Essa shortline é um marco dentro do novo arcabouço ferroviário brasileiro. Cria condições reais para novos investimentos privados em infraestrutura. Conecta a floresta aos portos e o Brasil aos principais mercados internacionais”.

A autorização para construção de ferrovias shortline pela ANTT está fundamentada na Lei nº 14.273 de 2021 e regulamentada pela Resolução nº 5.987 de 2022 que permite à iniciativa privada implantar e explorar ramais ferroviários por um período de até 99 anos. A ANTT também emitiu a Declaração de Utilidade Pública (DUP) que viabiliza desapropriações e servidões administrativas essenciais. Todo o processo de licenciamento foi conduzido pelo Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), que emitiu em novembro do ano passado a Licença Previa autorizando a empresa a avançar no projeto.

O traçado aprovado pelo Imasul inclui uma ponte de 269 metros e dois viadutos (ferroviário e rodoviário), todos situados em Inocência. A licença impõe rigorosas condicionantes ambientais, como a instalação de dispositivos de mitigação de atropelamento de fauna, monitoramento periódico de acidentes com animais silvestres, manejo e translocação de espécies e recomposição das áreas afetadas.

No mesmo modelo também foram autorizados pela ANTT ramais ferroviários entre Três Lagoas e Aparecida do Taboado, com extensão de 88,9 quilômetros e investimento estimado na época em R$ 890 milhões, a ser implantado e operado pela Eldorado Brasil; e outro com extensão de 136 quilômetros também conectando Três Lagoas a Aparecida do Taboado, só que operado pela Suzano e orçado em R$ 1,27 bilhão. Esses dois projetos ainda não foram iniciados.

A Arauco firmou contrato de R$ 770 milhões no início do ano com a montadora Randoncorp para o fornecimento de vagões ferroviários. Os lotes somam 750 vagões e 20 locomotivas, serão fabricados na unidade da Randon em Araraquara (SP) e deverão ser entregues à Arauco ao longo de 19 meses, entre maio de 2026 e novembro de 2027.

A Arauco está construindo o “Projeto Sucuriú” em Inocência que será a maior fábrica de celulose de linha única do mundo, com investimento de US$ 4,6 bilhões (cerca de R$ 25 bilhões). A previsão de início das atividades é para final de 2027; a fábrica terá capacidade de produção de 3,5 milhões de toneladas ao ano, vai empregar cerca de 14 mil trabalhadores na fase de obras e após o início das operações, deve gerar 6 mil empregos fixos diretos e indiretos.

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