
A fuga de três detentos do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, em Campo Grande, ganhou novos desdobramentos com a identificação do histórico criminal de um dos evadidos. Ítalo de Moraes, considerado de alta periculosidade pelas autoridades, é apontado como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) e possui antecedentes relacionados a crimes envolvendo explosivos, além de ligações com uma das principais lideranças da facção em Mato Grosso do Sul.
Ítalo foi um dos três presos que deixaram a unidade prisional na madrugada de segunda-feira (20), juntamente com Bruno Araújo da Silva e Thiago Pereira Costa. Informações apuradas pelo Jornal Midiamax indicam que o trio teria sido resgatado por um grupo armado. No entanto, a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) afirma que não houve invasão nem confronto na unidade, classificando o caso como uma evasão.
Segundo as investigações, Ítalo é sobrinho de Antenor Motta de Moraes, conhecido como “Gugu”, apontado como homem de confiança de José Cláudio Arantes, o “Tio Arantes”, considerado uma das principais lideranças do PCC em Mato Grosso do Sul. Gugu também foi investigado por atuar como apoio logístico para a comercialização de armas destinadas à facção criminosa e chegou a ameaçar agentes penitenciários no Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande em 2020.
O histórico criminal de Ítalo inclui participação em ações com explosivos. Em outubro de 2017, ele foi preso após uma investigação sobre a explosão de caixas eletrônicos de uma agência bancária localizada no Parque de Exposições Laucídio Coelho, em Campo Grande. Na ocasião, “Tio Arantes” também foi preso. Anos antes, em 2013, Ítalo já havia sido denunciado pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) por associação ao tráfico de drogas, juntamente com outros integrantes da organização criminosa.
A relação familiar aproxima ainda mais o foragido de “Tio Arantes”, preso na Bolívia em 2023 após permanecer foragido desde novembro de 2021, quando escapou justamente do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, a mesma unidade onde ocorreu a atual fuga.
Em nota oficial, a Agepen informou que a ausência dos três custodiados foi constatada durante a conferência de rotina realizada na manhã de segunda-feira (20). O órgão reforçou que a ocorrência é tratada como evasão e não como um resgate mediante invasão armada.
“A Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) informa que, na manhã de segunda-feira (20), durante os procedimentos de conferência de rotina no Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, em Campo Grande, foi constatada a evasão de três custodiados: Ítalo de Moraes, Bruno Araújo da Silva e Thiago Pereira Costa. Não houve confronto, invasão de grupos armados, tampouco registro de indivíduos portando armamento durante a ação. A estrutura de contenção já foi restabelecida, e já foi instaurado procedimento administrativo para apurar as circunstâncias da evasão.
A partir da verificação da ocorrência, a Polícia Penal adotou imediatamente todas as medidas operacionais previstas para esse tipo de situação. A Diretoria de Operações da Agepen, a Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário e as demais forças de segurança pública foram acionadas, a evasão foi registrada nos sistemas de gestão prisional para o bloqueio dos custodiados, e o fato foi comunicado ao Juízo da 2ª Vara de Execução Penal de Campo Grande para as providências judiciais cabíveis, incluindo a expedição dos respectivos mandados de prisão.
Importante destacar que o Centro Penal Agroindustrial da Gameleira é uma unidade de regime semiaberto, de segurança mínima, com características compatíveis com essa modalidade de cumprimento de pena, na qual parte dos custodiados exerce atividade laboral externa durante o dia, retornando à unidade para pernoite; sendo que a estrutura física segue os parâmetros previstos para essa modalidade de execução penal, distintos daqueles adotados em estabelecimentos de segurança máxima.
A Agepen destaca a pronta resposta da Polícia Penal diante da ocorrência e a atuação integrada com as demais forças de segurança, que já realizam diligências e ações de inteligência voltadas à localização e recaptura dos evadidos.”
Ataque ao Bope reacende alerta sobre atuação das facções
A fuga ocorre apenas duas semanas após outro episódio que mobilizou as forças de segurança em Mato Grosso do Sul. No dia 4 de julho, um comboio do Batalhão de Operações Especiais (Bope) foi alvo de um ataque a tiros de fuzil na BR-262, na região do distrito de Albuquerque, durante o transporte de um preso ligado ao PCC entre Corumbá e Campo Grande.
Na ocasião, policiais haviam parado em um posto de combustíveis para substituir o pneu de uma das viaturas quando criminosos abriram fogo a partir de uma área de mata. O detento transportado foi atingido pelos disparos e morreu no local. As investigações apontam que os atiradores seriam integrantes do Comando Vermelho e que haveria uma recompensa pela execução do preso, estimada entre R$ 200 mil e R$ 2 milhões.
A sequência dos episódios reforça a preocupação das autoridades com a atuação das organizações criminosas no Estado e evidencia o desafio enfrentado pelas forças de segurança no combate às ações coordenadas de facções, que seguem utilizando estratégias de alto poder ofensivo para facilitar fugas, eliminar rivais e ampliar sua influência dentro e fora do sistema prisional.
Até o momento, os três detentos permanecem foragidos, e as forças de segurança seguem realizando diligências e ações de inteligência para localizá-los.