
O governador Eduardo Riedel afirmou, nesta terça-feira (3), que a política de contenção de gastos adotada pelo Governo de Mato Grosso do Sul continuará ao longo de 2026, até que haja maior clareza sobre o cenário fiscal nacional e estadual. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa na abertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems).
Segundo Riedel, a austeridade fiscal é uma premissa inegociável da atual gestão e fundamental para preservar a capacidade de investimento do Estado e o equilíbrio das contas públicas, em meio às incertezas econômicas e à queda de receitas específicas.
“A responsabilidade fiscal é premissa do governo. O que ocorreu no ano passado, de contenção de gastos, vai continuar ocorrendo este ano até que a gente tenha clareza desse momento fiscal”, afirmou o governador.
Queda de receitas e equilíbrio fiscal
Mesmo diante da perda de mais de R$ 1 bilhão em arrecadação, provocada principalmente pela redução da importação de gás boliviano, Mato Grosso do Sul encerrou o último exercício com classificação CAPAG-B, indicador que atesta a capacidade de pagamento do Estado.
Para mitigar os impactos, o governo articulou a transferência de empresas do setor de gás para o território sul-mato-grossense e contou com o apoio da Assembleia Legislativa para autorizar operações de crédito voltadas exclusivamente a investimentos.
“A gente não pode perder a capacidade de investimento nem a qualidade da política pública. A Assembleia foi determinante ao autorizar empréstimos para investimento, permitindo que a gente mantenha controle rígido sobre o custeio”, explicou Riedel.
Ao comentar o cenário macroeconômico nacional, o governador defendeu a redução da taxa Selic, classificando o atual patamar de juros como um entrave ao crescimento do setor produtivo.
“Para o Brasil reagir mais forte, e Mato Grosso do Sul está dentro desse contexto, é preciso diminuir juros. Juros altos travam o crescimento real e favorecem apenas o capital especulativo”, pontuou.
Durante discurso de quase 30 minutos no plenário Júlio Maia, Riedel apresentou um balanço dos três primeiros anos de mandato, marcado, segundo ele, pela pacificação política e pelo pragmatismo administrativo.
O governador agradeceu à bancada federal, ao Judiciário e destacou a relação institucional com o Lula, ressaltando que diferenças ideológicas não impediram parcerias em projetos estruturantes.
“Mesmo sendo o presidente Lula de um campo político diferente, soubemos superar divergências para construir uma relação respeitosa e republicana, sempre em prol do interesse público e das necessidades de Mato Grosso do Sul”, afirmou.