
Mato Grosso do Sul registrou, em junho, o maior salto no número de inadimplentes dos últimos 12 meses: crescimento de 10,37% em relação ao mesmo período do ano passado, superando tanto a média nacional (7,73%) quanto a da região Centro-Oeste (9,78%). Os dados são do SPC Brasil e foram divulgados nesta terça-feira (9).
O cenário reflete uma escalada preocupante do endividamento no estado, acompanhada de um aumento expressivo no número total de dívidas — alta de 19,23% no comparativo anual. O índice sul-mato-grossense também está acima da média nacional, que ficou em 12,82%.
Dívidas pequenas, consequências duradouras
Embora o valor médio das dívidas no estado seja de R$ 5.517,84, grande parte dos inadimplentes lida com débitos relativamente baixos: 28,18% devem até R$ 500, e esse percentual sobe para 41,11% quando se considera dívidas de até R$ 1 mil. Mesmo com valores modestos, muitos consumidores permanecem com o nome negativado por longos períodos.
O tempo médio de atraso no pagamento das dívidas é de 27,7 meses — pouco mais de dois anos. Quase 40% dos inadimplentes estão com pendências não pagas entre um e três anos.
Perfil da inadimplência: juventude e recorrência
A faixa etária mais afetada pela inadimplência está entre 30 e 39 anos, que responde por 26,21% dos casos. A média de idade dos consumidores com nome sujo no estado é de 44,6 anos. Já a divisão por sexo é praticamente igualitária: 50,59% dos devedores são homens e 49,41% mulheres.
Cada inadimplente acumula, em média, 2,24 dívidas — um índice que, embora abaixo da média regional (2,32), supera a média nacional (2,21).
Bancos lideram ranking de credores
O setor bancário responde por 65,04% do total de dívidas em Mato Grosso do Sul, sendo o principal credor dos inadimplentes. Em seguida, aparecem os setores de comunicação (13,55%), comércio (8,81%) e serviços essenciais como água e energia elétrica (8,50%).
“O setor bancário segue sendo o principal credor porque muitos consumidores recorrem ao cartão de crédito e ao cheque especial como forma de complementar a renda. Mas o uso sem controle se transforma em dívida em poucos meses, ainda mais com os altos juros”, alerta Adelaido Vila, presidente da CDL Campo Grande.
Informações: Assessoria de Imprensa / CDL/CG