
Uma fotografia feita em 29 de novembro de 1977 resgata um capítulo marcante da história de Caarapó, quando o município vivia o auge da extração madeireira. A imagem, registrada por José Ignácio e compartilhada recentemente nas redes sociais por Pierre Duarte, mostra um caminhão carregado de toras em uma das largas avenidas de terra da cidade.
Até meados dos anos 1980, as ruas ainda não eram divididas pelo canteiro central que existe atualmente. Era comum ver diariamente caminhões transportando cargas de madeira que, muitas vezes, aparentavam ser maiores e mais pesadas que o próprio veículo. Na foto, dois homens observam a cena sorrindo, enquanto crianças ao canto esquerdo parecem passar assustadas — retrato típico da rotina vivida por muitos moradores naquela época.
Segundo o relato de Pierre Duarte, que publicou a imagem no último dia 26, ele chegou a Caarapó em 1974, quando o Estado ainda era Mato Grosso. “Passei minha infância em uma pequena cidade do interior. Cenas como essa faziam parte da nossa vida”, escreveu ele, que se define como gaúcho de nascimento e “caipira de coração”.
Os anos 60 e 70 foram considerados o período de maior atividade madeireira na região. Serrarias como Canozo, Jatobá, Serraria Lanziane, Lutral, Madecal, Tapira, Serraria do Luiz Português, Linoforte, Araponga, entre outras, trabalhavam por longas jornadas para atender à demanda. Internautas lembram que Caarapó chegou a ter cerca de 75 serrarias em funcionamento.
O morador João Batista Máximo afirmou que viveu essa fase e recorda da intensa movimentação de caminhões. Já João Binga de Carvalho contou que seu primeiro emprego foi em 1974, na serraria do Adriano Português. Zé Maria Santos relembrou que morou em frente à Serraria Canozo, ao lado do bolicho do Bigode, de seu Germínio, nos anos de 1978 e 1979. Silvio Maria destacou que a carga ficava concentrada na parte traseira e, ao arrancar, o caminhão chegava a levantar a frente.
A avenida onde a foto foi registrada ainda gera dúvidas. Há quem acredite que possa ser a saída para Amambai, embora não haja confirmação oficial.
Mais do que um registro curioso, a imagem eterniza uma fase que marcou profundamente o desenvolvimento econômico e social de Caarapó, período em que a madeira impulsionava a economia local e moldava o cotidiano da população.
Por José Carlos, Portal da Cidade