
Alunos de Mato Grosso do Sul terão acesso orientado à inteligência artificial dentro das salas de aula da rede estadual. No próximo dia 1º de junho, o Governo do Estado irá oficializar uma parceria com a Google para disponibilizar gratuitamente o Gemini, ferramenta de inteligência artificial da empresa, a todos os estudantes da rede pública.
A medida coloca a tecnologia no centro de uma transformação que já começou silenciosamente, mas que agora passa a ser incorporada oficialmente ao ambiente escolar. Mais do que oferecer uma nova plataforma digital, a iniciativa acende um debate inevitável: como preparar alunos e professores para uma era em que a inteligência artificial deixou de ser tendência e passou a fazer parte da rotina?
Durante um evento de networking em Campo Grande, o governador Eduardo Riedel destacou que o acesso à IA deve alterar a dinâmica tradicional das salas de aula, provocando uma mudança na forma como estudantes aprendem, pesquisam e se relacionam com o conhecimento.
“Todos os alunos da rede escolar vão ter gratuitamente o Gemini, que é a ferramenta deles de Inteligência Artificial e uma coisa vai puxando a outra, porque esses alunos agora vão pressionar os professores e vão começar a estabelecer uma nova relação dentro de sala de aula”, afirmou.
A fala traduz um cenário que já desafia escolas em todo o mundo: a inteligência artificial pode acelerar o aprendizado, ampliar o acesso à informação e estimular a criatividade, mas também exige responsabilidade, senso crítico e limites claros para que a tecnologia não substitua o pensamento humano.
O secretário estadual de Educação, Helio Daher, explicou ao Campo Grande News que o uso da ferramenta será acompanhado e orientado pedagogicamente. A proposta é ensinar os estudantes a utilizarem a IA como apoio na construção do conhecimento, sem abrir mão da autoria, da interpretação e da capacidade de produzir conteúdo próprio.
“A IA foi chegando nas escolas e nós entendemos que da forma que estava poderia ter um mal uso. O governador procurou essa parceria e estamos trazendo o uso orientado do Gemini. O professor vai trabalhar a melhor maneira de se utilizar, envolve ética digital, uso da pesquisa. Vai ensinar o estudante a fazer pesquisa, mas permanecer sendo o produtor de conteúdo”, explicou.
A discussão vai além da tecnologia. O desafio agora é educar uma geração que cresce conectada a respostas instantâneas, mas que também precisará aprender a questionar, interpretar e pensar criticamente diante das informações produzidas por máquinas.
Segundo o secretário, a estrutura digital da rede estadual já vem sendo fortalecida desde a pandemia, período em que os estudantes passaram a receber contas educacionais da Google. Com a nova parceria, o acesso ao Gemini poderá ser feito tanto por celulares quanto pelos computadores disponíveis nas escolas. Professores também passarão por capacitação específica para integrar a ferramenta às práticas pedagógicas.