Inclusão que transforma | projeto combate a discriminação e abre portas para quase mil egressos do sistema prisional em MS

Reconstruir a vida após cumprir uma pena é um desafio que vai muito além da liberdade. Para quem passou pelo sistema prisional, a reintegração à...

Apresentação da reunião técnica (Foto: Divulgação/Assessoria)

Reconstruir a vida após cumprir uma pena é um desafio que vai muito além da liberdade. Para quem passou pelo sistema prisional, a reintegração à sociedade esbarra, muitas vezes, em barreiras invisíveis: o preconceito, o estigma e a falta de oportunidade. Em Mato Grosso do Sul, cerca de 970 egressos estão hoje aptos e em busca de uma chance para recomeçar no mercado de trabalho, um dado que revela não só a dimensão da demanda, mas também a urgência de ações concretas que promovam inclusão e dignidade.

É com esse propósito que a Superintendência Regional do Trabalho em MS realizou esta semana uma capacitação voltada aos atendentes e captadores de vagas das agências públicas de emprego. A ação integra o Projeto de Combate à Discriminação e Promoção da Igualdade no Trabalho, uma iniciativa do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), e tem como foco preparar quem está na linha de frente da intermediação de mão de obra para acolher, sem preconceitos, os profissionais que buscam uma nova chance.

“Estamos falando de um público que já cumpriu sua pena e busca reconstruir sua vida de forma digna. O trabalho é um direito constitucional e, mais do que isso, é uma ferramenta de transformação social. Nosso papel é aproximar esses cidadãos das oportunidades que o mercado oferece e sensibilizar os empregadores sobre a importância da inclusão”, destacou o superintendente regional do Trabalho em MS, Alexandre Cantero.

A proposta vai além da qualificação técnica. Ela se propõe a construir pontes reais entre os egressos e o setor produtivo, promovendo não só capacitação, mas também o enfrentamento de práticas discriminatórias e o fortalecimento de redes de apoio. A iniciativa teve início em maio deste ano, em Ponta Porã, após a Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania identificar as dificuldades enfrentadas pelos egressos para conseguir uma vaga de emprego.

Desde então, o projeto vem crescendo com o apoio de instituições como o Ministério Público do Trabalho, a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), a Funsat (Fundação Social do Trabalho de Campo Grande) e a Funtrab (Fundação do Trabalho de MS).

A capacitação oferecida nesta semana trouxe um conteúdo teórico robusto, com abordagens sobre os direitos humanos, o papel do trabalho na reconstrução da dignidade e os fundamentos legais que proíbem a discriminação. Na próxima etapa, empresas previamente selecionadas serão notificadas e convidadas a conhecer o projeto e suas metas de inclusão.

De acordo com a auditora-fiscal do Trabalho e coordenadora da ação, Priscila de Abreu, a proposta está conectada a compromissos assumidos pelo Brasil no cenário internacional. “Nosso trabalho está diretamente alinhado à Convenção 122 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que orienta os países à adoção de políticas que promovam o pleno emprego. Além disso, seguimos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, especialmente o ODS 8, que trata do trabalho decente e do crescimento econômico inclusivo”, explica.

A iniciativa contempla ainda ações como o uso do Portal Emprega Brasil, incentivo ao empreendedorismo, geração de renda lícita e acompanhamento dos patronatos. Mais do que uma política de empregabilidade, o projeto representa um passo necessário rumo a uma sociedade mais justa, onde a inclusão não seja exceção, mas parte da regra.

Porque dar uma nova chance não é só transformar histórias individuais, é investir em segurança, cidadania e no potencial humano que, muitas vezes, só precisa ser visto com novos olhos.

Informações: Assessoria de Comunicação

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