Mato Grosso do Sul intensifica combate a bebidas adulteradas e reforça alerta para intoxicações por metanol

O Governo de Mato Grosso do Sul coordenou, esta semana, uma operação integrada de grande escala para coibir a venda de bebidas adulteradas e proteger...

Foto: André Lima

O Governo de Mato Grosso do Sul coordenou, esta semana, uma operação integrada de grande escala para coibir a venda de bebidas adulteradas e proteger a população contra o risco de intoxicação por metanol, substância altamente tóxica que pode causar cegueira e até levar à morte. A ação mobilizou equipes em Campo Grande e em diversos municípios do interior, unindo forças de segurança, vigilâncias sanitárias e órgãos de fiscalização.

A força-tarefa reuniu a Polícia Civil, por meio da Decon (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo), Deops (Delegacia de Ordem Política e Social) e Garras (Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos), além da Vigilância Sanitária Estadual e Municipal, Procon/MS, Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) e Guarda Municipal.

Operação na Capital

Durante as inspeções em Campo Grande, as equipes encontraram dezenas de garrafas de bebidas vencidas ou sem comprovação de origem, entre energéticos, vinhos, licores e cachaças — em uma casa noturna. Os produtos vencidos foram descartados no local pela Vigilância Sanitária Municipal, enquanto bebidas estrangeiras sem procedência foram encaminhadas à Receita Federal.
O gerente do estabelecimento foi conduzido à delegacia, e um inquérito policial foi instaurado.

Na BR-262, policiais apreenderam cerca de 900 quilos de garrafas vazias de whisky transportadas sem nota fiscal, escondidas em um caminhão. O caso está sob investigação da Decon, que apura possível falsificação de bebidas.
Além disso, os organizadores de um evento foram autuados pela ausência de alvará sanitário e outros documentos obrigatórios. O Procon/MS também constatou irregularidades como a falta de placas informativas e dados sobre meia-entrada. Os responsáveis terão 20 dias para apresentar defesa.

Fiscalizações no interior

A operação também se estendeu aos municípios de Três Lagoas, Costa Rica, Eldorado, Rio Brilhante, Naviraí, Caracol, Maracaju, Bela Vista, Bodoquena, Tacuru, Jateí, Sidrolândia, Ribas do Rio Pardo, Paranhos, Pedro Gomes, Sete Quedas, Ponta Porã e Vicentina.
Em cada local, as equipes municipais atuaram em conjunto com a Vigilância Sanitária Estadual e demais órgãos locais, adotando medidas sanitárias cabíveis sempre que foram identificadas irregularidades. O trabalho conjunto tem fortalecido o fluxo de resposta rápida e a integração entre Estado e municípios.

Ação coordenada e permanente

A secretária estadual de Saúde em exercício, Crhistinne Maymone, destacou que a operação reflete o compromisso do Governo em garantir segurança sanitária e proteger vidas.
“O Estado tem atuado em várias frentes, desde a fiscalização e capacitação das equipes de saúde até a articulação com o Ministério da Saúde, para impedir que produtos clandestinos cheguem ao consumidor. É uma ação técnica, articulada e contínua”, afirmou.

A superintendente de Vigilância em Saúde da SES, Larissa Castilho, reforçou que a integração entre os níveis de governo é essencial para evitar novas ocorrências.
“Estamos trabalhando de forma coordenada com as vigilâncias municipais e órgãos parceiros para agilizar as fiscalizações e impedir a circulação de produtos irregulares. Essa resposta rápida é fundamental para proteger a população”, disse.

A fiscal da Coordenadoria de Vigilância Sanitária da SES, Fernanda Rodrigues, que participou das ações, ressaltou que o trabalho conjunto amplia a capacidade de resposta do Estado.
“Essas ações são fundamentais para retirar do mercado produtos que oferecem risco real à saúde pública. A CVISA tem intensificado as fiscalizações e orientações técnicas para garantir que apenas produtos seguros cheguem ao consumidor”, pontuou.

Situação dos casos em Mato Grosso do Sul

Até segunda-feira (6), a Secretaria de Estado de Saúde havia registrado quatro casos suspeitos de intoxicação por metanol nos municípios de Campo Grande, Ladário, Rio Brilhante e Caarapó.
Outros dois casos, em Sidrolândia e Campo Grande, foram descartados, e um óbito suspeito permanece em investigação na capital. A Vigilância em Saúde mantém monitoramento constante, com coleta de amostras, rastreamento da origem das bebidas e acompanhamento clínico dos pacientes.

Medidas emergenciais

Entre as principais ações em andamento estão:

  • Atendimento 24 horas com suporte técnico e científico via CIATox;
  • Fiscalização intensiva de bares, conveniências e eventos;
  • Monitoramento contínuo de casos suspeitos e notificação imediata ao CIEVS Estadual e ao Ministério da Saúde;
  • Capacitação das equipes de saúde conforme protocolos técnicos;
  • Apoio aos hospitais com fornecimento de antídotos, como o etanol farmacêutico, e articulação para o acesso ao fomepizol, medicamento de referência no tratamento de intoxicações por metanol.

Orientação à população

A Secretaria de Estado de Saúde reforça que a população deve evitar o consumo de bebidas alcoólicas sem rótulo, de origem desconhecida ou adquiridas em locais não regularizados.
O Estado mantém alerta permanente às unidades de saúde, com suporte técnico e científico 24 horas pelo CIATox (Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Campo Grande).

Canais de atendimento e notificação:

  • CIATox – Plantão 24h: (67) 98179-1369 | Fixo: (67) 3386-8655 | Emergência: 0800 722 6001 | E-mail: civitox@saude.ms.gov.br
  • CIEVS – Plantão 24h: (67) 98477-3435 | Disque-notifica: 0800 647 1650 | E-mail: cievs@saude.ms.gov.br
  • Coordenação de Emergências em Saúde Pública – CESP: (67) 3318-1823
  • Disque-Intoxicação Anvisa: 0800 722 6001 | E-mail: cvisa@saude.ms.gov.br

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