Mestra Josefa Marques Mazarão transforma fios em legado cultural para Mato Grosso do Sul

A trajetória de vida da mestra tecelã Josefa Marques Mazarão, radicada em Caarapó, é um exemplo de resistência, talento e dedicação à cultura sul-mato-grossense. Nascida...

Josefa Marques Mazarão, mestra tecelã de Caarapó (Foto: Álvaro Rezende/Secom)

A trajetória de vida da mestra tecelã Josefa Marques Mazarão, radicada em Caarapó, é um exemplo de resistência, talento e dedicação à cultura sul-mato-grossense. Nascida em Castilho (SP), ela chegou ao estado em 1957, acompanhando a família que buscava melhores condições de vida na lavoura de café.

Após décadas de trabalho como cozinheira e funcionária de cooperativa, Josefa descobriu uma nova paixão em 1997: o tear. No quintal de casa, começou a transformar a lã de carneiro — doada por fazendeiros locais — em verdadeiras obras de arte. Com criatividade e profundo respeito à natureza, desenvolveu técnicas próprias de tingimento natural, utilizando cascas de legumes e ervas nativas da região.

O talento rapidamente se tornou referência, e em 2002, junto a um grupo de mulheres, fundou a Associação de Arte e Artesanato Vale da Esperança, espaço que passou a ser um celeiro de aprendizado e oportunidades. Ali, Josefa compartilha seu conhecimento, ensinando tecelagem, tingimento e fiação para outras trabalhadoras.

“A lã é meu fio com a vida. Ensinar e ver outras mulheres crescendo com o artesanato é minha maior conquista”, resume a artesã, que já viu suas criações ganharem o mundo: peças produzidas por suas mãos circularam em feiras por diversos estados e foram utilizadas por artistas, personalidades e figuras públicas, dando visibilidade à identidade cultural do Mato Grosso do Sul.

Com sua história, Josefa Marques Mazarão reafirma que o artesanato vai além da estética: é memória, tradição e transformação social. Um legado que, a cada ponto tecido, fortalece a cultura e inspira novas gerações.

A trajetória de Josefa exemplifica como o artesanato se firmou como força econômica e social no estado, movimentando milhões em feiras, rodadas de negócios e comercialização institucional. Ao mesmo tempo, fortalece vínculos comunitários e promove inclusão, sobretudo entre mulheres. Mais que produzir peças únicas, a mestra tecelã contribui para consolidar o artesanato como um dos pilares do desenvolvimento criativo e cultural de Mato Grosso do Sul.

O artesanato sul-mato-grossense vem se consolidando como um dos eixos estratégicos da economia criativa do Estado, especialmente pela inserção consistente em circuitos nacionais de grande visibilidade. A presença em ao menos sete feiras de abrangência nacional por ano, realizadas em polos como São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Ceará, Paraná e Distrito Federal, representa não apenas a expansão da comercialização, mas também um movimento de valorização simbólica. Ao ocupar esses espaços, o artesanato do Mato Grosso do Sul projeta uma imagem de autenticidade e diversidade que fortalece sua posição competitiva no cenário cultural brasileiro, ao mesmo tempo em que atrai parcerias e abre novas possibilidades de mercado.

Mais do que os números expressivos de vendas ou a circulação em vitrines estratégicas, o setor revela sua relevância pela dimensão social que carrega. Oficinas, cursos e projetos de capacitação têm impactado diretamente comunidades inteiras, transformando o artesanato em ferramenta de inclusão e emancipação, sobretudo entre mulheres, idosos, jovens e povos indígenas em situação de vulnerabilidade. Nesse sentido, a prática artesanal atua como elo entre passado e presente, assegurando a preservação de saberes tradicionais e sua ressignificação no contexto contemporâneo. O resultado é um setor que, ao mesmo tempo em que gera renda e desenvolvimento, reafirma a identidade cultural do Mato Grosso do Sul e mantém viva a memória coletiva de sua gente.

Contribuição: Governo MS

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