
Após muitas reclamações, processos e CPIs, agora o Consórcio Guaicurus culpou o aumento do uso de aplicativos e até bicicletas por R$ 20 milhões em dívidas. O acúmulo de dívidas e falhas foi apontado pelos interventores da concessão do transporte público de Campo Grande nesta segunda-feira (6).
Em nota, as empresas afastadas da diretoria do transporte coletivo reconhecem o relatório. Contudo, mantêm os argumentos usados desde a CPI do Consórcio na Câmara de Campo Grande para justificar as falhas e dívidas.
Conforme publicado no Jornal Midiamax, foi alegado novamente que o contrato opera em desequilíbrio econômico-financeiro e que a pandemia da covid e o aumento do uso de aplicativos causaram queda do número de passageiros.
“É a ausência desse reequilíbrio que levou à situação constatada pelos interventores”, disse o Consórcio em nota.
O aumento da concorrência de modais alternativos foi apontado como desafio para o Consórcio Guaicurus, que argumentou que o cenário negativo do transporte público foi “agravado” pelos modais.
No entanto, a concorrência com modais foi apontada como possibilidade de melhoria do transporte coletivo em Campo Grande, pois a falta de competitividade no transporte coletivo acabou tranquilizando o Consórcio Guaicurus em Campo Grande ao longo dos anos.
O apontamento é da especialista em desenvolvimento urbano Maria Lúcia Torrecilha, após oitivas na CPI que investigou o transporte público na Capital. Enquanto o único meio de transporte coletivo em Campo Grande são ônibus, as empresas do Consórcio vivem em espécie de ‘monopólio’.
“Tem que ter outros modais. Isso desafia também para eles, causa um medo, por exemplo. Eles estão tranquilos, reinam”.
Afastado do comando do transporte coletivo, o Consórcio disse que “apesar das dificuldades, manteve as condições de segurança dos ônibus, atestadas por laudos emitidos por empresa credenciada pelo Inmetro e pelo Detran-MS”.
Além disso, questionaram a falta de conclusão de todos os corredores de ônibus e novos terminais na Capital. “Sem essa modernização, a velocidade média do sistema permaneceu baixa (cerca de 17 km/h), o que degrada a qualidade da prestação do serviço público, afasta os usuários e eleva os custos operacionais da concessionária”, disseram as empresas em nota.
Apesar de preliminares, os primeiros relatórios do interventor detalharam falhas na gestão operacional da companhia decorrentes da utilização de sistemas de gestão ultrapassados, afetando o fluxo interno e a economicidade do serviço.
A frota de ônibus foi apontada como ultrapassada, demandando a estruturação de planejamento para a substituição futura dos veículos.
O advogado também destacou que os indícios de irregularidades fiscais e contratuais por parte do consórcio não são recentes.