
Celebrado na última segunda-feira, 27 de julho, o Dia do Motociclista traz para o centro do debate a urgência de refletir sobre a segurança no trânsito urbano. Em Mato Grosso do Sul, o uso da motocicleta como meio de transporte diário e ferramenta de trabalho não para de crescer, mas os números revelam um contraste intrigante: embora o estado conte com mais condutores habilitados para pilotar do que veículos cadastrados na frota, a falta de Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e a imprudência continuam sendo as principais causas de acidentes fatais.
Os dados do Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul) mostram que, dos mais de 1,36 milhão de condutores habilitados no estado, 887.121 possuem a Categoria A o que corresponde a quase 65% do total. Esses condutores também possuem outras habilitações para conduzir veículos, que são a opção da grande maioria.
O perfil dos habilitados na categoria A é majoritariamente masculino, somando 67,7% dos habilitados, enquanto as mulheres representam 32,2%. Além disso, cerca de 175 mil motociclistas têm na carteira o registro para exercício de atividade remunerada, grupo fundamental para a logística urbana e os serviços de entrega.
Na frota sul-mato-grossense, os veículos de duas rodas somam mais de 577 mil unidades, entre motocicletas, motonetas e ciclomotores, representando quase 30% de todo o parque circulante do estado.
A matemática que aponta um número de habilitados superior a frota não se reflete nas ocorrências de sinistros de trânsito, das ruas da capital. Levantamentos do Grupo de Análise de Sinistros de Trânsito (GAST), do Programa Vida no Trânsito, revelam um retrato alarmante sobre a vulnerabilidade de quem anda sobre duas rodas em Campo Grande.
Em 2025, dos 71 óbitos registrados no trânsito urbano da capital, 51 foram de motociclistas, o que representa 71,8% de todas as mortes. O impacto nas redes de saúde é ainda mais impressionante: 89,2% de todas as vítimas graves internadas por acidentes na cidade eram condutores ou passageiros de moto. O cenário manteve seu tom crítico nos primeiros cinco meses de 2026, período em que 17 das 27 vítimas fatais no trânsito da cidade estavam a bordo de uma motocicleta.
Ao analisar quem são essas vítimas, a estatística desenha um perfil jovem e vulnerável. Homens representam 76% dos mortos em 2025, com expressiva concentração nas faixas etárias de 16 a 23 anos e de 24 a 31 anos.
A ausência de habilitação figura como o principal fator humano determinante nos acidentes com morte, presente em 15% dos casos, seguida por desvios direcionais, excesso de velocidade, falta de percepção do tráfego e desrespeito à sinalização de parada obrigatória. Esse cenário evidencia que, para além da expansão da frota e da necessidade de vias estruturadas, a conscientização, o treinamento adequado e o cumprimento das leis continuam sendo as ferramentas mais eficientes para salvar vidas sobre duas rodas.
Serviço:
Pit Stop Educativo
Durante o dia, quem passar pelo local encontrará um circuito completo de serviços gratuitos, orientação técnica e dinâmicas preventivas oferecidas por uma rede articulada de parceiros públicos e privados.
Data: 31/07/2026
Hora: 8h-12h
Local: Praça Rádio Clube – Campo Grande