Por que gatos param de comer mesmo tendo ração no pote? Estudo investigou

Para donos de gatos, a visão de uma refeição não terminada pelo bichano pode ser bem comum. O costume de muitos gatos domésticos de frequentemente...

Os gatos domésticos podem ter várias pequenas refeições ao longo do dia (Foto: Reprodução/Freepik)

Para donos de gatos, a visão de uma refeição não terminada pelo bichano pode ser bem comum. O costume de muitos gatos domésticos de frequentemente deixar comida no prato pode parecer um sinal saciedade dos animais. Mas um novo estudo sugere que existem mais uma razão para esse fenômeno acontecer, e ela está associada ao olfato.

Segundo pesquisadores da Universidade de Iwate, no Japão, o padrão alimentar dos felinos é afetado tanto pelo fator dos gatos já estarem satisfeitos quanto pela regulação da motivação de comer a partir do olfato.

Publicado em 31 de março na revista científica Physiology & Behavior, o estudo fez experimentos controlados para verificar como a “habituação e a desabituação” de odores influenciam o apetite dos felinos.

Cheiro atrai a fome

Os primeiros experimentos consistiram em avaliar o interesse dos gatos por uma alimentação diversa ou pouco variada. Um comunicado explica que foram estabelecidos seis ciclos consecutivos de alimentação, em que o animal se alimentou por dez minutos entre intervalos de dez minutos.

Gatos possuem um paladar bem mais exigente que o de cães — Foto: Surprising_Media/Pixabay
Gatos possuem um paladar bem mais exigente que o de cães (Foto: Surprising_Media/Pixabay)

Nos casos do oferecimento de alimentos repetidos, os cientistas viram que os bichanos reduziam gradualmente a ingestão ao longo dos ciclos, enquanto essa diminuição foi menos intensa nos casos com alimentos variados.

Ao se realizarem experimentos adicionais com a presença de odores, os cientistas notaram que, mesmo sem mudar o alimento, a inserção de cheiro no meio dos ciclos ajudava a retornar a ingestão. Porém, nem tudo são flores: a saturação de odores entre os ciclos de alimentação levou a uma redução ainda maior nas ingestões alimentares seguintes.

De forma semelhante ao primeiro experimento, essa situação foi contornada ao variar os tipos de odores apresentados aos gatos, que voltaram a se alimentar mais.

Potenciais colocados em prática

“Essas descobertas sugerem que os gatos não param de comer simplesmente porque estão satisfeitos. Em vez disso, sua motivação para se alimentar diminui à medida que se acostumam com o cheiro da comida, e pode ser restaurada com a introdução de um novo odor”, concluí Masao Miyazaki, principal autor do estudo, em comunicado.

As descobertas da pesquisa ampliam o conhecimento alimentar felino, de forma que, segundo os autores, podem ser úteis para o desenvolvimento de estratégias de alimentação para gatos com apetite reduzido e para o manejo nutricional de gatos idosos ou doentes.

Revista Galileu

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