
A gestão da prefeita Adriane Lopes (PP), em Campo Grande, enfrenta seu primeiro grande impasse com o funcionalismo público municipal. Após firmar compromisso com o Sindicato dos Servidores Municipais (SISEM) para a atualização salarial da categoria, a prefeita descumpriu o acordo, motivando uma paralisação de advertência, que será a primeira desde o início de seu segundo mandato.
Motivo
Em março deste ano, a prefeita assinou um acordo com o sindicato prevendo o reajuste linear dos salários, como forma de recompor perdas inflacionárias acumuladas ao longo de três anos. No entanto, em julho, a Prefeitura voltou atrás e manteve o congelamento salarial. A justificativa apresentada foi a adesão ao Plano de Promoção do Equilíbrio Fiscal (PEF), programa federal que impõe metas de contenção de gastos públicos.
Mobilização dos servidores
A decisão gerou forte insatisfação entre os servidores, especialmente das áreas da saúde, odontologia e medicina veterinária. Em assembleia realizada pelo SISEM, ficou aprovada uma paralisação de alerta por 24 horas no dia 28 de julho. Caso não haja uma contraproposta da gestão, a categoria ameaça iniciar uma greve geral a partir do dia 4 de agosto.
“Em maio, a prefeita firmou compromisso com a categoria. Não é justo que agora ela volte atrás”, afirmou o presidente do sindicato, Willian Freitas, destacando que a paralisação é uma resposta direta ao que consideram quebra de palavra por parte da administração municipal.
Reajuste seletivo e críticas à incoerência
Enquanto os servidores seguem sem reajuste, a própria estrutura administrativa da Prefeitura foi contemplada com aumentos expressivos. A prefeita Adriane Lopes teve reajuste de 22,23% em sua remuneração. Secretários municipais receberam até 159% de aumento, e os salários da vice-prefeita e vereadores também foram reajustados.
A postura do Executivo gerou críticas por aparente incoerência. Para os servidores, o discurso de “equilíbrio fiscal” virou sinônimo de privilégio — e não de responsabilidade. A reação veio com mobilização direta, e a promessa de greve indica que o impasse está longe de ser resolvido. O que deveria simbolizar compromisso e valorização virou uma crise com potencial de desgaste político duradouro para a atual gestão.