Projeto de carne premium aposta em rastreabilidade para ampliar exportações de MS

Um projeto empresarial em fase de estruturação pretende implantar em Mato Grosso do Sul um sistema integrado para produção, processamento e exportação de carne premium...

Iniciativa apresentada por Carlos Bernardo prevê controle dos animais desde a criação, processamento local e produção de cortes especiais e charque

Um projeto empresarial em fase de estruturação pretende implantar em Mato Grosso do Sul um sistema integrado para produção, processamento e exportação de carne premium com rastreabilidade completa.

Denominada Monarca Premium, a iniciativa prevê o acompanhamento da cadeia produtiva desde a identificação eletrônica dos animais, ainda na fase de cria, até o abate, o processamento industrial e a comercialização de cortes especiais e charque nos mercados brasileiro e internacional.

A proposta é defendida pelo empresário e pré-candidato a deputado federal Carlos Bernardo. Segundo ele, o empreendimento busca agregar valor à pecuária sul-mato-grossense por meio da industrialização da matéria-prima dentro do Estado.

“Nossa proposta é estruturar toda a cadeia produtiva desde a origem do animal. Vamos trabalhar com rastreabilidade completa, protocolos sanitários e processamento próprio para entregar um produto de alto valor agregado”, afirmou.

Carlos acrescentou que o objetivo é ampliar a participação do Estado em mercados que exigem controle da produção, regularidade sanitária e garantia de origem.

Controle da cadeia produtiva

O modelo apresentado prevê a compra antecipada de bezerros, o acompanhamento técnico dos produtores rurais e a identificação eletrônica individual dos animais.

O projeto também estabelece um período de preparação antes do abate, com controle dos protocolos sanitários, da alimentação e das demais etapas de produção. As informações acompanhariam o produto até o processamento e a entrega ao consumidor.

Uma equipe multidisciplinar deverá ser formada para avaliar a viabilidade técnica e econômica do empreendimento. O grupo deve reunir profissionais especializados em plantas frigoríficas, sanidade animal, refrigeração, processamento de carnes e sistemas de rastreabilidade.

A consultora Nilde Brun, que deverá participar da análise da fase de estruturação, afirmou que o modelo contempla diferentes etapas da cadeia da carne.

“O projeto contempla toda a cadeia produtiva, desde a origem do animal até a entrega da carne ao consumidor, com foco em qualidade, rastreabilidade e segurança. É uma proposta alinhada às exigências dos mercados internacionais”, declarou.

Financiamento ainda será estruturado

Os responsáveis pelo empreendimento avaliam a possibilidade de buscar financiamento no Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) e no Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO).

A utilização desses instrumentos dependerá da apresentação dos projetos técnicos, das análises de viabilidade e da aprovação pelos órgãos e instituições financeiras responsáveis.

Para 2026, a Sudeco reservou R$ 3,157 bilhões do FCO para Mato Grosso do Sul. O valor foi dividido igualmente entre os setores rural e empresarial.

Material de referência geográfica

O montante regional aprovado para o Centro-Oeste é de R$ 14,6 bilhões, conforme a programação oficial do fundo. A previsão inicial divulgada pelo Governo do Estado indicava que os recursos destinados a Mato Grosso do Sul poderiam ser ampliados posteriormente para aproximadamente R$ 3,5 bilhões.

O projeto ainda não informou o valor total do investimento, o município escolhido para receber a unidade industrial, a capacidade prevista de processamento nem o prazo estimado para o início das operações.

Peso do agronegócio

A iniciativa se apoia na participação expressiva da agropecuária e da indústria na economia estadual. Em 2022, a agropecuária respondeu por 22,8% do Produto Interno Bruto de Mato Grosso do Sul, enquanto a indústria representou 22,9%.

Naquele ano, a agropecuária estadual cresceu 6,77%, enquanto a indústria avançou 4,27%, de acordo com levantamento elaborado pela Semadesc com dados do IBGE.

Na avaliação de Carlos Bernardo, o processamento local permitiria que uma parcela maior da renda gerada pela bovinocultura permanecesse no Estado.

“Quando transformamos aqui aquilo que produzimos, geramos empregos, tecnologia, renda e arrecadação que hoje acabam ficando em outros lugares. Nossa proposta é fazer com que Mato Grosso do Sul deixe de vender apenas o boi e passe a vender um produto premium, rastreado e preparado para mercados mais exigentes”, disse.

Rota Bioceânica

O planejamento também considera as possibilidades logísticas abertas pela Rota Bioceânica, corredor que deverá ligar o Centro-Oeste brasileiro aos portos do Oceano Pacífico, passando pelo Paraguai e pela Argentina até chegar ao Chile.

Para Nilde Brun, a nova estrutura de transporte poderá facilitar o acesso da produção sul-mato-grossense aos mercados internacionais.

“Mato Grosso do Sul já é referência na produção de carne. A proposta busca avançar para uma etapa de maior agregação de valor, aproveitando a logística da Rota Bioceânica e atendendo mercados que demandam produtos rastreados”, afirmou.

Além dos cortes premium, o empreendimento prevê uma unidade para fabricação de charque. A inclusão do produto busca ampliar o aproveitamento da matéria-prima e diversificar o portfólio comercial.

Como o projeto permanece na fase de planejamento, sua implantação dependerá da conclusão dos estudos técnicos, da definição de parceiros, da obtenção de licenças sanitárias e ambientais e da aprovação das fontes de financiamento.

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