Simplicidade e emoção | Vamos falar sobre “Caramelo”, a estreia da semana?

No último dia 8 de outubro, ‘Caramelo’ estreou na Netflix cheio de emoção e muitas lições a serem aprendidas. Há filmes que chegam de mansinho,...

No último dia 8 de outubro, ‘Caramelo’ estreou na Netflix cheio de emoção e muitas lições a serem aprendidas. Há filmes que chegam de mansinho, sem alarde, sem fogos, mas com a delicadeza de quem sabe que a vida mora nos detalhes. Dirigido por Diego Freitas e recém-lançado na Netflix, Caramelo é exatamente isso: um sopro de ternura em meio ao barulho do mundo.

A história de Pedro, um chef em crise que reencontra o sabor da vida através de um cachorro de rua chamado Amendoim, poderia ser apenas mais uma fábula sobre recomeços. Mas Freitas transforma o óbvio em poesia. O que vemos na tela é menos um enredo e mais uma confissão: a de que o amor, o simples, o cotidiano, o sem glamour, ainda é o tempero que sustenta a humanidade.

Rafael Vitti, em uma atuação madura e contida, dá corpo a um homem esvaziado de si, que reencontra sentido no olhar de um animal que nada exige além de presença. Amendoim, o vira-lata caramelo que dá nome ao longa, é mais do que um símbolo. É espelho. É pausa. É o silêncio que devolve o humano ao humano.

O filme pulsa com a verdade das ruas brasileiras: os sons de buzinas, os motoqueiros apressados, o calor do asfalto, os nomes improváveis dos cães, tudo parece sair de um cotidiano reconhecível, quase documental. Não há esforço em parecer bonito, e é justamente aí que mora sua beleza.

Caramelo é cinema que cheira a vida real: leve, às vezes agridoce, sempre sincero. Sua fotografia quente, banhada de luz natural, traduz o acolhimento que o roteiro sugere. É como sentar na calçada em fim de tarde e perceber que, apesar do caos, ainda há espaço para o afeto.

Diego Freitas entrega um filme sobre reencontros, mas também sobre o que se perde ao correr demais. É uma lembrança, quase um carinho, de que ainda vale a pena desacelerar, abrir a janela e sentir o mundo passar.

Caramelo não quer reinventar o cinema. Quer apenas lembrar que o simples ainda funciona. E, no fim, é impossível não sair do sofá com a sensação de que, em algum canto da alma, todos nós precisamos de um Amendoim.

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