Sintomas silenciosos e comportamento que colocam a vida masculina em risco, segundo especialista

Quando o tema é a saúde do homem, o alerta vai além das campanhas: ele esbarra em comportamento, cultura e silêncio, além disso os números...

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Quando o tema é a saúde do homem, o alerta vai além das campanhas: ele esbarra em comportamento, cultura e silêncio, além disso os números deixam isso evidente. No Brasil, os homens vivem, em média, cinco anos a menos do que as mulheres, cuidam menos da própria saúde e morrem mais cedo por causas evitáveis, segundo a OMS. Dados do Programa Nacional de Saúde (PNS) reforçam esse cenário: enquanto 82,3% das mulheres procuram atendimento médico, entre os homens esse índice cai para 69,4%.

Para o médico urologista Dr. Henrique Coelho, não é a falta de informação que explica esse distanciamento, mas a forma como o homem foi ensinado a lidar com o próprio corpo. “O homem foi condicionado a suportar, a minimizar sintomas e a procurar ajuda apenas quando não dá mais para ignorar. O problema é que o corpo fala antes e quem não escuta, chega tarde”, afirma.

Segundo o especialista, mais do que listar doenças, é essencial reconhecer sinais que costumam ser negligenciados e que podem indicar desde condições simples até quadros mais graves. Entre os principais alertas estão as alterações urinárias, como dor, ardência ou dificuldade para urinar.

“Esse é um dos primeiros sinais de que algo não está bem. Pode parecer banal, mas pode estar relacionado a infecções, alterações na próstata ou doenças mais sérias”, explica.

Outro sinal que exige atenção imediata é a presença de sangue na urina ou no sêmen.
“Nunca deve ser considerado normal. É um sintoma que precisa de investigação rápida, porque pode estar ligado a inflamações, infecções ou até tumores”, destaca.

A dor persistente na região lombar ou pélvica também entra na lista de sinais ignorados.
“Muitos homens associam essa dor ao cansaço ou esforço físico, mas ela pode indicar problemas renais ou outras condições que exigem diagnóstico”, pontua.

Já o cansaço excessivo e a queda de energia costumam ser naturalizados na rotina.
“Nem sempre é apenas desgaste. Pode estar relacionado a alterações hormonais, como a baixa testosterona, ou a doenças crônicas que precisam de acompanhamento”, alerta.

Por fim, as coceiras ou irritações na região íntima também não devem ser negligenciadas.
“Pode ser algo simples, como uma alergia, mas também pode indicar infecções ou até infecções sexualmente transmissíveis. Ignorar é sempre o pior caminho”, reforça.

Para o médico, o maior risco não está apenas nos sintomas, mas no tempo de reação.
“O problema não é só o que o corpo manifesta, mas o quanto se demora para agir. Diagnóstico precoce significa tratamento mais simples, menos invasivo e com mais chances de sucesso”, explica.

Além dos sinais físicos, Dr. Henrique Coelho chama atenção para um ponto ainda mais silencioso: a saúde mental masculina. “Muitos homens não falam sobre o que sentem, acumulam pressão, estresse e sofrimento emocional. Isso impacta diretamente o organismo e pode desencadear ou agravar doenças”, afirma.

Para ele, discutir saúde do homem passa, necessariamente, por redefinir o que significa ser homem hoje. “Cuidar da própria saúde não é fragilidade é maturidade. O homem que se conhece, se observa e busca ajuda no momento certo tem mais qualidade de vida e longevidade. A prevenção começa na decisão de não ignorar os sinais”, conclui.

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