
Neste domingo, 5 de julho, nos despedimos definitivamente do Bom Sujeito, como o advogado Tiago Pittan gostava de ser chamado nas redes sociais. Mais uma vez, foi ele que anunciou a partida definitiva em suas redes sociais, avisando que a família teria sido chamada na Cassems, hospital onde estava internado.
“Eu estou feliz, valeu a pena, tudo valeu a pena, a vida é boa. Eu venci!”
Ele que enfrentou o câncer com uma coragem capaz de transformar dor em afeto, despedida em encontro e luto em memória viva, morreu depois de uma batalha marcada por dias difíceis, mas também por uma escolha que emocionou Campo Grande: viver intensamente até onde fosse possível. No dia 30 de maio, ele celebrou a própria trajetória ao lado de amigos e familiares em uma festa que chamou de “A Despedida do Bom Sujeito”.
Não foi um velório como os tradicionais. Foi um velório em vida.
Com música, sorrisos, abraços, chopp gelado e muita gente querida reunida, Tiago fez da despedida um retrato fiel de quem era: alguém que amava a vida, valorizava as relações e não permitiu que a doença apagasse seu humor, sua presença e sua vontade de celebrar.
Ao anunciar a ideia nas redes sociais, ele explicou que o câncer havia evoluído e que os últimos meses tinham sido difíceis. Ainda assim, escolheu não esperar pelo adeus silencioso de uma despedida convencional.
“Enquanto ainda consigo, quero celebrar a minha vida com vocês”, escreveu.
A decisão surpreendeu, emocionou e levou amigos a participarem de um momento que, agora, ganha um significado ainda mais profundo. Tiago não quis ser lembrado apenas pela doença. Quis ser lembrado pelas histórias, pelas risadas, pelos encontros e pelo carinho que construiu ao longo da vida.
“Não quero ser só um corpo dentro de uma caixa fazendo figuração; quero curtir o meu velório com vocês”, disse, em uma das mensagens que traduzem sua irreverência.
Mesmo diante do diagnóstico, Tiago sustentou uma frase que se tornou símbolo de sua caminhada: “Eu tenho câncer, mas o câncer não me tem”.
A festa, realizada na antiga Cervejaria Canalhas, em Campo Grande, foi exatamente como ele desejava: sem drama, sem tristeza como protagonista e com a certeza de que havia muito a agradecer.
“Que vida eu tive e tenho, minhas amigas e meus amigos. Não tenho do que reclamar. Sou um bom sujeito de sorte”, escreveu.
Tiago também deixou claro qual legado desejava carregar na memória de quem o conheceu: “Afeto, amor, carinho, respeito, gratidão e bom humor”.
E foi assim que ele se despediu antes mesmo da partida: presente, cercado de amor e fazendo da própria finitude uma lição de humanidade.
Agora, a morte de Tiago deixa saudade, mas também uma lembrança poderosa. A de que, mesmo diante da dor mais dura, ainda pode haver espaço para a coragem, para a alegria e para a celebração daquilo que realmente importa.
De gelado, como ele brincou, naquele dia só o chopp. Porque Tiago não queria que a despedida fosse fria. E não foi.
Ele partiu, mas deixou viva uma história que continuará sendo contada por todos que tiveram a sorte de cruzar seu caminho.
Tiago será velado, a partir das 10 horas da manhã, no Memorial Park, bairro Universitário, na capital.